Sebastião Coelho nega envolvimento do ex-assessor de Bolsonaro e critica denúncia da PGR
O advogado Sebastião Coelho, que defende Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro (PL), negou qualquer envolvimento de seu cliente na suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (27), Coelho afirmou que a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Martins se baseia exclusivamente na delação do tenente-coronel Mauro Cid e não apresenta provas. “A única coisa que liga o nome de Filipe Martins [ao caso] é somente a palavra do coronel Cid”, declarou.
Delação sem provas
O advogado contestou a denúncia, que menciona Martins em 15 trechos. “Essa minuta não existe. Ela não era do conhecimento de Filipe. A única citação possível à minuta foi feita apenas pelo coronel Cid. Mais ninguém”, afirmou.
Coelho também rebateu o depoimento do general Marco Antônio Freire Gomes, que disse que Martins teria entregado a minuta do suposto golpe a Bolsonaro. Segundo ele, o general não foi categórico. “O general disse: ‘Parece que Filipe Martins estava lá’. Isso será confrontado com Freire Gomes no momento oportuno. Mas ele apresentou algum material? Não existe”, disse.
Defesa avalia acareação
Coelho estuda pedir acareação entre Cid e outros envolvidos. “Essa é uma questão que está na pauta da defesa. Estamos analisando o momento oportuno para essa solicitação”, afirmou.
Ele classificou como “arbitrária e absurda” a prisão de Martins em fevereiro de 2024 e sugeriu que a denúncia da PGR serviu para justificar a detenção de seis meses. “Se Filipe Martins não tivesse sido alvo daquela prisão arbitrária e absurda, creio que ele nem sequer teria sido denunciado”, declarou.
Questionamentos à narrativa da PGR
O advogado também criticou a tese de que Martins integraria um suposto “gabinete de gestão” em um eventual governo golpista. “Como Filipe Martins faria parte de um núcleo jurídico se nem advogado ele é?”, questionou.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Bolsonaro e mais 33 pessoas por suposta tentativa de golpe, incluindo os ex-ministros Braga Netto e Mauro Cid. Os crimes apontados somam penas de até 43 anos de prisão. A denúncia foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 18 de fevereiro.
