Lula é um sujeito ambicioso e dado a vaidades. Voltou ao poder apenas para tentar reescrever sua biografia, maculada com 580 dias de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro. Com ajuda do Supremo, foi descondenado, reabilitado politicamente e eleito para um terceiro mandato. A gestão Lula III, porém, se assemelha a um trem descarrilhado. Absoluto desastre. Sem paciência para tocar o governo no dia a dia, dedica-se a discursos escritos por terceiros, lançamentos de programas para os quais não há dinheiro e a viagens internacionais, o entretenimento preferido de Janja, sua testemunha na egotrip.
Já almejou o Nobel da Paz, mas escorregou para o lado de ditadores e terroristas. Com o país pegando fogo (literalmente), a economia numa encruzilhada e um desempenho medíocre do PT nas urnas, Lula agora enxerga nas Nações Unidas a plataforma ideal para fechar com chave de ouro. Seu mandato na Presidência termina em 2026, assim como o do diplomata português António Guterres, o atual secretário-geral, a quem tentará substituir com ajuda de Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e Keir Starmer.
A bandeira de campanha foi hasteada ontem, em discurso na abertura da Assembleia Geral: Lula vai apresentar uma proposta para convocação de uma conferência de revisão da Carta da ONU, o tratado fundamental da entidade.
“O Brasil considera apresentar proposta de convocação de uma conferência de revisão da carta da ONU com base no seu artigo 109. Cada país pode ter sua visão quanto ao modelo de reforma da governança global ideal, mas precisamos todos concordar quanto ao fato de que a reforma é fundamental e urgente […] Não podemos nos furtar de transformações estruturais”, disse. Ao reescrever o tratado, o petista também quer reformar o próprio Conselho de Segurança, ampliando o colegiado com poder de veto.
O Conselho é responsável por abrir investigações sobre disputas entre países, decidir a respeito de sanções econômicas e até recomendar intervenções militares. “Na sua atual configuração, o Conselho de Segurança tem se mostrado incapaz de resolver conflitos e, menos ainda, de preveni-los. Falta transparência no seu funcionamento, falta coerência nas suas decisões”, disse Lula. “Milhões de pessoas sofrem as consequências dessa ineficácia. Com mais representatividade, em especial da África e América Latina e Caribe, teremos mais chance de superar a polarização que paralisa o órgão.”
