CHEGOU TARDE, MARÇAL! - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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CHEGOU TARDE, MARÇAL!

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Por Claudio Dantas

Pablo Marçal chegou na Av. Paulista após os discursos. Tentou subir no trio elétrico organizado por Silas Malafaia para o bolsonarismo, mas acabou barrado pelos seguranças. Gravou um vídeo se vitimizando. “Vocês acreditam que eu tentei subir no caminhão e não deixaram? Então obrigado aí pelo carinho. Não sei quem mandou fechar o caminhão”, disse. Jair Bolsonaro respondeu que o rival de Ricardo Nunes “queria subir no carro de som e acenar para o público, fazer palanque às custas do trabalho e risco dos outros, e não foi permitido por questões óbvias”.

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Marçal chegou tarde, de fato, mas não estou falando de sua tentativa de participação nos protestos do 7 de setembro contra Alexandre de Moraes. Me refiro à absoluta falta de aderência do candidato do PRTB à principal pauta do debate político atual: a marcha insana e arbitrária do ministro do Supremo. O tema simplesmente não integra seu heterodoxo repertório de narrativas.

Irônico que boa parte do eleitorado e de lideranças de direita — inclusive quem sofreu na pele o assédio judicial de Xandão — decida apoiar quem nunca saiu a público para criticar os inquéritos políticos, as prisões arbitrárias e condenações sumárias do 8 de janeiro. “Não tenho nenhum problema com ele”, disse, recentemente, em entrevista ao Roda Viva, ao ser questionado se considerava Moraes um ditador. Marçal acredita num “desequilíbrio na República” e em “competências do STF muito politizadas”. “Precisamos diminuir essa pressão”, sugeriu.

Sobre o bloqueio do X, na mesma entrevista, distribuiu desconhecimento e vaidade. “Acho que agora o Brasil está sentindo o que eu senti”, afirmou, em referência à derrubada de suas redes pela Justiça Eleitoral de SP. Na ocasião, aliás, improvisou uma motociata e discursou contra Tabata, Boulos, Nunes… Tarcísio e Bolsonaro! Onde estava o ‘papa da internet’ nos últimos cincos anos, desde que Dias Toffoli abriu o inquérito das fake news e mandou Xandão censurar a Crusoé?

Marçal não sabe que, desde então, o Supremo invadiu as prerrogativas dos demais poderes e instituiu um regime de perseguição contra quem não se alinha à esquerda? Que a defesa a democracia é apenas fachada para um regime de força? Será que o ex-coach teve a curiosidade de ler os depoimentos dos presos do 8/1 ou ao menos deu uma olhadinha no texto do pedido de impeachment de Moraes?

Para entender o que levou milhares de pessoas ontem à Av. Paulista, recomendo ao candidato ler as acusações contra o ministro por violação de direitos constitucionais e humanos, desrespeito ao devido processo legal e ao sistema acusatório, abuso de poder, prevaricação e responsabilidade na morte de preso político; além de usurpação de competências do Ministério Público, desconsideração da imunidade parlamentar e das prerrogativas dos advogados, entre outras.

Ironicamente, na antevéspera do protesto na Paulista, Marçal e sua equipe de mídias sociais não estavam convocando manifestantes, mas voando para El Salvador, numa ação de marketing chamada de “internacionalização da campanha”. Informações ‘vazadas’ para a imprensa indicavam um encontro com Nayib Bukele, o que gerou inúmeras matérias associando-o ao presidente salvadorenho que tem tido sucesso no combate ao crime em seu país. Mas Bukele sequer tomou conhecimento da presença do candidato.

Cada vez fica patente que a presença de Marçal em disputas eleitorais cumpre um roteiro conhecido de coachs: a construção de autoridade por associação, o que lhe garante um nível cada vez maior de credibilidade no debate público, o que termina sendo muito bom para os negócios. Quanto Marçal e seus sócios lucraram anteontem e ontem? Quanto lucrarão no debate da Globo? E com eventuais selfies ao lado de Javier Milei, Donald Trump ou Elon Musk?

Marçal chegou tarde na Paulista e jamais entrou no arriscado debate sobre liberdade de expressão, tão caro à direita. Mas está a anos-luz na defesa de seus próprios interesses. 

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