O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou ontem (22), durante encontro com o chanceler Mauro Vieira nas Filipinas, que Pequim continuará apoiando o Brasil na defesa de sua soberania. A reunião foi realizada durante a agenda da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
A manifestação de apoio ocorre após o governo Trump impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de práticas desiguais no comércio entre Brasil e EUA.
“A China tem o prazer de ver o Brasil desempenhar um papel maior nos assuntos internacionais e aprecia os esforços do Brasil para defender a justiça e os direitos dos países em desenvolvimento. A China continuará a apoiar o Brasil na salvaguarda de sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento, e confia que o Brasil, como sempre, respeitará e apoiará a China na defesa de seus principais interesses”, afirmou o representante chinês.
A declaração ocorre um dia após o PT lançar uma campanha nacional em “defesa da soberania nacional”. A iniciativa prevê a divulgação de conteúdos em defesa do Pix, da indústria nacional e da preservação das terras-raras diante da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos.
Durante a reunião, Mauro Vieira defendeu o aprofundamento da parceria econômica entre os dois países. O chanceler brasileiro solicitou a ampliação da cooperação nas áreas financeira e comercial e reforçou o interesse em intensificar a coordenação entre Brasil e China em organismos como a ONU e o Brics.
Wang Yi afirmou que a parceria estratégica entre os dois países está na “vanguarda do cenário internacional” e classificou o Brasil como uma economia emergente “com influência global e uma força representativa do Sul Global”.
Os chanceleres também discutiram novos projetos de cooperação tecnológica. Segundo Wang, a China pretende ampliar a colaboração com o Brasil em áreas consideradas prioritárias por Lula e Xi Jinping, como o setor aeroespacial, a conectividade e a inteligência artificial.
Ao final do encontro, o ministro chinês convidou o Brasil a integrar a Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial). Segundo ele, a adesão contribuiria para ampliar a cooperação entre os países e fortalecer interesses comuns.