O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou no último domingo (19) que o país não realizará mais eleições para a escolha de presidente. A declaração foi feita pelo autocrata durante discurso nas comemorações pelos 46 anos da Revolução Sandinista, em Manágua.
“Não haverá mais eleições aqui para que eles [a oposição] tentem tomar o governo e o poder”, afirmou Ortega. O ditador também declarou que “os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somocistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais”.
A fala reforça o controle exercido por Ortega sobre a Nicarágua, onde governa de forma ininterrupta desde 2007. No ano passado, o regime aprovou uma reforma constitucional que nomeou sua mulher, Rosario Murillo, como “copresidente” e ampliou o mandato presidencial para seis anos.
A última eleição presidencial, realizada em 2021, foi alvo de críticas internacionais. Antes da votação, o regime prendeu dezenas de opositores, incluindo sete pré-candidatos à Presidência, cancelou o registro de partidos políticos e intensificou a repressão contra dissidentes.
Naquele ano, o PT, de Lula, divulgou uma nota classificando a eleição na Nicarágua como “uma grande manifestação popular e democrática”. O texto também afirmava que o resultado demonstrava “o apoio da população a um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário”.
A nota foi retirada do site do partido dias depois, após repercussão negativa. À época, a então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o conteúdo “não foi submetido à direção partidária”.
Também em 2021, Lula comparou o tempo de permanência de Ortega no poder ao da ex-chanceler alemã Angela Merkel, embora tenha criticado a prisão de opositores pelo regime.
“Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”, disse o petista.
Apesar da antiga proximidade política entre Lula e Ortega, as relações entre os governos se deterioraram nos últimos anos. Em agosto de 2024, Brasil e Nicarágua expulsaram mutuamente seus embaixadores, levando a relação diplomática ao pior momento entre os dois países.