Sem edital, produção de livros em Braille para 2027 entra em risco
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Brasil

Sem edital, produção de livros em Braille para 2027 entra em risco

Entidade cobra publicação do edital e diz que demora pode comprometer entrega do material às escolas

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A produção dos livros didáticos em Braille para o ano letivo de 2027 já enfrenta risco de atraso. A Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência (Abridef) afirma que o edital que autoriza a fabricação do material ainda não foi publicado e alerta que o cronograma começa a ficar comprometido.

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Segundo a entidade, a produção de um livro em braille-tinta leva entre seis e nove meses. O processo envolve transcrição, revisão técnica, impressão em papel especial e distribuição. Sem a publicação do edital, nenhuma dessas etapas pode ser iniciada.

A preocupação da associação é evitar a repetição do cenário registrado neste ano, quando milhares de estudantes cegos iniciaram as aulas sem acesso ao material didático.

“No ano passado, a Abridef alertou para o mesmo risco e não foi ouvida a tempo. O resultado foi uma crise institucional e pedagógica sem precedentes, que atingiu cerca de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão em idade escolar, na estimativa do IBGE”, afirma o presidente da Abridef, Rodrigo Rosso.

De acordo com Rosso, o problema não está na capacidade de produção, mas na falta de previsibilidade para o início dos contratos.

“O processo é conhecido, estruturado e tecnicamente dominado pela cadeia produtiva. O que pesa é a previsibilidade contratual. Quando o edital não sai dentro da janela adequada, o cronograma inteiro trava”, diz.

A Abridef afirma que a distribuição dos livros em Braille ocorre na mesma estrutura logística utilizada para os livros didáticos convencionais, o que exige planejamento antecipado para atender à demanda nacional.

Para a entidade, a publicação do edital ainda neste período é fundamental para garantir que os materiais estejam disponíveis no início do próximo ano letivo e evitar que estudantes cegos sejam prejudicados novamente.

“Garantir que não haja um novo ‘Braille zero’ exige previsibilidade, transparência e contratos compatíveis com a demanda nacional. O debate precisa ser técnico e responsável”, conclui Rosso.

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