O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta sexta-feira (10) que a política comercial do governo Lula (PT) coloca em risco as exportações brasileiras de carne bovina. Segundo ele, a adoção de uma sobretaxa pela China e as restrições impostas pela União Europeia refletem falhas nas negociações conduzidas pelo Executivo.
De acordo com o parlamentar, a preocupação está relacionada ao novo sistema de cotas adotado pela China para 2026. Pelo modelo, as importações de carne bovina dentro do limite anual de 1,1 milhão de toneladas seguem sujeitas à tarifa de 12%. No entanto, o volume que ultrapassar essa cota passará a pagar uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%.
Flávio afirmou que o Brasil já teria alcançado cerca de 98,5% da cota prevista ainda no mês de julho, o que, segundo ele, aumenta o risco de incidência da tarifa mais elevada sobre parte das exportações.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o senador atribuiu a situação à condução do governo federal e criticou a atuação diplomática do Palácio do Planalto.
“A China impõe tarifa de 55% sobre a carne brasileira. Isso, somado à tarifa de 12% que já existe atualmente, chega a um total de 67% de tarifaço sobre o que exceder a cota de carne brasileira que vai para a China. Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China? Há poucos dias, a Europa retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para lá. Está aí a prova de que a incompetência do governo Lula é o que está fazendo com que as maiores economias do mundo tarifem o Brasil. Eu vou lutar contra as tarifas de qualquer país”, declarou.
O senador também citou a situação envolvendo a União Europeia. Segundo ele, o governo brasileiro não apresentou dentro do prazo as garantias exigidas pelo bloco sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal, o que resultou na retirada do Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para consumo humano.
Caso o impasse não seja solucionado, a medida europeia tem previsão de entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, os dois episódios representam riscos para o agronegócio brasileiro e podem afetar um dos principais setores da economia nacional. O governo federal ainda não respondeu às declarações do senador.
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