Setor produtivo Brasil e EUA mais tempo negociar tarifa 25%
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Economia

Setor produtivo de Brasil e EUA pede mais tempo para negociar tarifa de 25%

Carta conjunta defende acordo de curto prazo para impedir a aplicação da sobretaxa anunciada pelo governo Trump

Donald Trump
Foto: Official White House Photo/ Daniel Torok

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Representantes do setor produtivo brasileiro e norte-americano intensificaram a articulação para tentar impedir a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em carta enviada nesta quinta-feira (9), entidades empresariais dos dois países defenderam que os governos ampliem as negociações comerciais antes da decisão final da Casa Branca.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O documento foi assinado pela Amcham Brasil, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela U.S. Chamber of Commerce. No Brasil, a carta foi encaminhada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, o texto foi enviado ao representante comercial Jamieson Greer e ao secretário de Estado, Marco Rubio.

As entidades pedem que Brasil e Estados Unidos construam um acordo de curto prazo para encerrar de forma negociada a investigação aberta por Washington com base na Seção 301 da legislação comercial americana, evitando a adoção de novas barreiras tarifárias.

Segundo o documento, a prioridade é ampliar o acesso a mercados para produtos industriais, bens de capital, infraestrutura voltada à inteligência artificial e centros de processamento de dados, além de fortalecer a cooperação regulatória em setores como indústria automotiva, farmacêutica, saúde e equipamentos médicos.

A proposta também prevê o fortalecimento da cooperação em minerais estratégicos, a aceleração da análise de pedidos de patentes no Brasil, o reforço ao combate à pirataria, a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas incidentes em transmissões eletrônicas e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC.

Na avaliação das entidades, um entendimento inicial abriria espaço para uma agenda mais ampla de cooperação entre os dois países, abrangendo áreas como segurança energética, comércio eletrônico, inovação, agricultura, logística, descarbonização industrial e fortalecimento das cadeias produtivas.

“O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, afirmam as entidades na carta.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que o momento exige um esforço concentrado dos dois governos para evitar a adoção das tarifas.

“Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, declarou.

Decisão deve sair nos próximos dias

A manifestação do setor empresarial ocorre em meio à reta final da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Na quarta-feira (9), Jamieson Greer afirmou que a decisão será anunciada “muito em breve”.

Embora tenha dito que mantém diálogo frequente com representantes do governo brasileiro, Greer reconheceu que ainda há uma distância significativa entre as posições dos dois países.

A investigação da Seção 301 foi concluída após a realização de audiências públicas e resultou na recomendação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão final, porém, caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Caso a medida seja confirmada, a sobretaxa deverá entrar em vigor em 15 de julho.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade