Flávio representa contra promotora por tentar barrar oração
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Justiça

Flávio representa contra promotora por tentar barrar oração

Senador pede apuração da conduta de integrante do MP do Rio após manifestação durante encontro organizado por entidade da sociedade civil

Foto: Reprodução/YouTube

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para pedir a apuração da conduta funcional da promotora de Justiça do Rio de Janeiro Elayne Christina da Silva Rodrigues. A medida foi motivada por declarações feitas durante um encontro promovido por entidades da sociedade civil, quando a promotora afirmou ser “inconstitucional a referência a Deus e a realização de uma oração na abertura do evento”.

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Segundo a representação, a promotora declarou que havia sido “assolapada por uma oração evangélica”, sustentou que a fé seria um direito privado, afirmou que a referência a Deus seria inconstitucional e disse que, caso a oração ocorresse, “o Ministério Público se retiraria do local”. Ainda de acordo com o documento, ao ser questionada por uma das organizadoras, respondeu que “quem fala é o Ministério Público”. As declarações ocorreram durante o XCI Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro, realizado em Duque de Caxias.

A representação, à qual a reportagem teve acesso, afirma que o evento foi promovido pela Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (ACTERJ), em parceria com conselhos tutelares da Baixada Fluminense, e não pelo Poder Público. O documento argumenta que essa distinção é relevante porque manifestações religiosas espontâneas em eventos organizados pela sociedade civil estariam protegidas pela liberdade de consciência, de expressão e de religião.

O texto também registra que a própria promotora teria reconhecido que o encontro era organizado por uma associação civil antes de afirmar que a referência religiosa seria incompatível com a Constituição. Para a representação, esse ponto demonstra uma contradição entre a natureza do evento e a interpretação apresentada durante sua manifestação.

Foto: Reprodução/Redes sociais

Representação cita Constituição, tratados e decisões do STF

Na petição, Flávio Bolsonaro sustenta que o pedido não questiona as convicções pessoais da promotora, mas a manifestação realizada na condição de representante institucional do Ministério Público.

O documento afirma que a liberdade religiosa é direito fundamental assegurado pela Constituição e por tratados internacionais, abrangendo também sua manifestação pública. Sustenta ainda que a laicidade do Estado significa neutralidade estatal, e não a exclusão de manifestações religiosas do espaço público.

A representação também cita decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a interpretação da laicidade do Estado e menciona o Decreto nº 12.795/2025, que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural de relevância nacional.

Pedido ao CNMP

Flávio Bolsonaro solicita que o CNMP instaure procedimento para apurar se a atuação da promotora foi compatível com os deveres funcionais de imparcialidade, urbanidade, prudência e respeito ao pluralismo exigidos dos membros do Ministério Público. O senador também requer a obtenção das gravações do evento, a notificação da promotora para prestar esclarecimentos e, ao final, a adoção das medidas cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.

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