Promotora confunde estado laico com estado ateu e passa vergonha
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Justiça

Promotora confunde estado laico com estado ateu e passa vergonha

"Fé é um direito privado que não deve ser estendido a outras pessoas em um evento público"

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Por Redação

Uma promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) criticou uma manifestação cristã realizada durante um evento em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e afirmou que a prática seria “inconstitucional”. O caso ocorreu na última sexta-feira (03).

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Elayne Rodrigues afirmou, durante fórum promovido pela Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (Acterj), ter se sentido “extremamente ofendida” após uma referência religiosa feita na abertura da programação. Segundo ela, a manifestação com citação a Deus não deveria ocorrer em um evento aberto ao público.

“Isso é inconstitucional”, afirmou a promotora durante a fala registrada em vídeo e repercutida nas redes sociais. “Ao início do evento eu fui assolapada por uma oração evangélica”, declarou.

A representante do MP disse ainda que, apesar de o fórum não ser patrocinado pela Prefeitura de Duque de Caxias, a abertura do evento deveria respeitar a separação entre Estado e religião.

“Preciso esclarecer à organização do evento e à associação que a fé é um direito privado que não deve ser estendido a outras pessoas em um evento público”, disse a promotora. Ela afirmou ainda que não era evangélica e se sentia “extremamente ofendida” com a manifestação.

A fala religiosa mencionada por Elayne teria sido feita por um instrutor de um grupo de crianças que se apresentou no evento. Durante uma troca de figurino, o homem teria recitado um poema sobre o “abraço de Deus”.

No vídeo, a presidente da Acterj, que estava na mesa principal do evento, questiona a promotora sobre a suposta oração. A pergunta não é audível na gravação, mas Elayne responde que “não teve uma oração, mas teve uma chamada a Deus, ao sentimento de Deus” no início da programação.

A promotora também afirmou que havia enviado uma mensagem à organização do fórum antes da fala, alertando que, caso o participante “puxasse uma oração, o Ministério Público iria se retirar”.

“Se a senhora começar a interferir na minha fala, na fala do Ministério Público, eu me retiro”, declarou Elayne. “Aqui represento o Ministério Público e tenho garantia constitucional para estar nesse local e ocupar esse espaço. Esse deboche ofende o Ministério Público e a Constituição”, completou.

Em nota, a Acterj afirmou que o episódio ocorrido durante a abertura do fórum foi “desagradável” e disse esperar que as declarações feitas publicamente pela representante do MPRJ sejam reconsideradas. Destacou ainda que os conselheiros tutelares têm autonomia para organizar seus fóruns e que a escolha de atividades culturais, educativas e artísticas “faz parte da metodologia pedagógica de seus encontros”.

Já a Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj) declarou solidariedade à promotora e informou que acompanhará os desdobramentos do caso, adotando as medidas que considerar necessárias.

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