A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (6), a Operação Véu de Maia para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a operadores de apostas ilegais. Segundo a corporação, a organização criminosa teria utilizado 87 empresas de fachada para movimentar recursos em diferentes regiões do país.
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia (GO), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre (RS) e Canoas (RS). A investigação é coordenada pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Goiás.
As apurações tiveram início após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. De acordo com a PF, os dados apontaram indícios de que dezenas de empresas eram utilizadas como “laranjas” para ocultar e movimentar recursos de operadores irregulares do setor de apostas.
Além da lavagem de dinheiro, os investigadores apuram suspeitas de remessas ilegais de recursos ao exterior por meio de criptomoedas.
Os alvos da operação poderão responder, em tese, pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos que venham a ser identificados durante o avanço das investigações.
Governo estima avanço das bets ilegais
O tema ganhou atenção do governo federal nas últimas semanas. Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, afirmou que cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizam plataformas de apostas ilegais.
Segundo estimativas apresentadas pelo ministério, as perdas econômicas relacionadas às apostas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano, sendo aproximadamente 80% desse impacto associado a danos na área da saúde.
Ainda de acordo com o governo, entre 41% e 50% das plataformas de apostas que operam no país seriam irregulares. A Secretaria de Prêmios e Apostas informou já ter determinado o bloqueio de mais de 40 mil domínios de sites que funcionavam fora das regras estabelecidas pela legislação brasileira.
Os levantamentos oficiais também indicam que um em cada quatro brasileiros aposta diariamente, enquanto cerca de metade da população realiza apostas ao menos uma vez por semana. Entre os usuários, 69% têm entre 19 e 29 anos e 63% possuem renda familiar de até dois salários mínimos.
