empresa laranja que pagou R$ 700 mil à ministra do STM
Brasília, Sexta, 03 de julho de 2026
Política

Dono de empresa que pagou R$ 700 mil à ministra do STM diz que atuou como “laranja”

Depoimento aponta que homem afirma ter vendido seus dados por R$ 5 mil para abertura da companhia

Verônica Sterman
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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Por Redação

A empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia, responsável por uma transferência de R$ 700 mil ao escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, tem como proprietário formal um homem que afirma jamais ter controlado o negócio.

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Em depoimento prestado à Polícia Civil de São Paulo, Ericsson de Azevedo declarou que apenas forneceu seus dados pessoais para a abertura da companhia em troca de R$ 5 mil, alegando ter enfrentado dificuldades financeiras na época. As informações são do portal Metrópoles.

Segundo o relato, feito em janeiro deste ano ao delegado Julio Jesus Encarnação, da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes, a negociação ocorreu em 2021, em um campo de futebol localizado próximo à residência dele, no bairro do Jaçanã, na zona norte da capital paulista. Azevedo afirmou não se recordar da identidade da pessoa que recebeu seus documentos.

Ainda conforme o depoimento, ele recebia R$ 1 mil em espécie sempre que era chamado para assinar papéis relacionados à empresa, embora alegue desconhecer o conteúdo dos documentos e as pessoas que os levavam, que variavam a cada ocasião. À polícia, disse sobreviver da fabricação de pipas e rabiolas, além da venda de rifas, com renda aproximada de R$ 1 mil por mês.

Embora tenha capital social declarado superior a R$ 100 milhões, a ACX ITC passou a integrar investigações sobre movimentações financeiras suspeitas. A empresa é citada no relatório final da CPMI do INSS como integrante de uma estrutura empresarial atribuída ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo a comissão parlamentar, a rede reúne mais de 40 empresas e teria movimentado cerca de R$ 39 bilhões.

O grupo também inclui a Victory Trading, empresa sancionada nesta semana pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob suspeita de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os R$ 700 mil destinados ao escritório de Verônica Sterman foram identificados em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) referente ao período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, antes de sua posse como ministra do STM. De acordo com o documento, o valor foi transferido em parcela única a partir de uma conta da ACX ITC no Banco do Brasil, aberta em São Caetano do Sul (SP).

Indicada pelo presidente Lula (PT) para o STM em setembro do ano passado, Verônica Sterman afirmou anteriormente que a quantia correspondeu ao pagamento por três pareceres jurídicos sobre questões criminais envolvendo atividades da empresa. Até o momento, contudo, não foram localizados processos judiciais nos quais ela tenha atuado em nome da ACX ITC ou de outras empresas ligadas ao mesmo grupo.

Outro nome citado nos documentos é o do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro. Segundo informações constantes em um RIF encaminhado à CPMI do INSS, o escritório dele recebeu R$ 595 mil da ACX ITC, sendo R$ 445 mil distribuídos em três transferências realizadas entre outubro de 2023 e outubro de 2024, além de um cheque de R$ 150 mil sacado posteriormente. Os pagamentos ocorreram após sua aposentadoria do STJ, em março de 2021.

Em manifestação nesta quinta-feira (2), Nefi Cordeiro reiterou que os valores correspondem ao pagamento de honorários advocatícios por serviços jurídicos prestados em ações já concluídas e afirmou não conhecer Ericsson de Azevedo.

A ACX ITC também teve o sigilo fiscal quebrado pela CPMI do INSS após ser identificada como destinatária de recursos da Arpar Participações e Empreendimentos, empresa controlada por Antônio Carlos Camilo Antunes.

As informações sobre Ericsson de Azevedo fazem parte da Operação Saturno, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. No relatório final do inquérito, encaminhado à Justiça e ao Ministério Público paulista em 12 de maio, o delegado responsável afirma que há “fortes indícios” de que a ACX ITC esteja envolvida na circulação de recursos provenientes do tráfico de drogas.

De acordo com a investigação, a empresa movimentou aproximadamente R$ 918,3 milhões e aparece em relatórios de inteligência financeira como possível integrante de uma estrutura destinada à ocultação e dissimulação de recursos de origem ilícita. Os investigadores também apontam que as contas da ACX ITC eram operadas a partir do mesmo dispositivo utilizado pela Victory Trading, empresa ligada ao empresário Victor Shimada e alvo de sanções aplicadas pelos Estados Unidos.

Após a conclusão das investigações, a promotora Ana Carolina Welligton Costa Gomes, do Ministério Público de São Paulo, defendeu o envio do caso à Justiça Federal. Segundo ela, a maior parte dos investigados já responde a apurações naquele âmbito, especialmente em investigações sobre crimes financeiros, lavagem de dinheiro e fraudes com atuação interestadual e possível alcance internacional.

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