Rodrigo Bacellar nega ter tentado atrapalhar investigação
Brasília, Sexta, 03 de julho de 2026
Brasil

Rodrigo Bacellar nega ter tentado atrapalhar investigação

Ex-presidente da Alerj foi alvo da Operação Unha e Carne e teve sua transferência para presídio federal decretada

A decisão estabelece que Bacellar passará a usar tornozeleira eletrônica e ficará afastado da presidência da Casa.
Rodrigo Bacellar

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Por Ândrea Malcher

Repórter especialista em Congresso Nacional

A defesa do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), negou, nesta quinta-feira (2), que o investigado tenha “atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes”, após ser alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne mais cedo. 

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A Polícia Federal (PF) investiga lavagem de dinheiro, pagamentos indevidos e doações eleitorais irregulares envolvendo a cúpula do jogo do bicho e repasses a integrantes do Executivo e do Legislativo do estado. Entre os alvos, Bacellar teve sua prisão decretada, apesar de já ter sido detido.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decretou que o ex-parlamentar fosse transferido para um presídio federal. Bacellar foi levado do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, para a Superintendência da Polícia Federal (PF), na Região Portuária do Rio de Janeiro, após voltar a ser alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo STF durante a quinta fase da Operação Unha e Carne.

“Reitera-se que, conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado. Por fim, coloque-se que Rodrigo da Silva Bacellar pautou e pauta sua atividade política e atuação como agente público na legalidade, na impessoalidade e, principalmente, no firme combate à criminalidade organizada no Estado do Rio de Janeiro, de modo que qualquer acusação em sentido contrário se trata da mais absoluta inverdade”, diz a nota.

A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, além de três mandados de prisão preventiva. Também foram alvos o pastor e empresário Marcio Poncio, preso na Barra da Tijuca, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que já estava preso. Entre os investigados está ainda o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que teve endereços alvo de buscas.

Rodrigo Bacellar é investigado por suspeita de vazar informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes do Comando Vermelho (CV). De acordo com a investigação, o vazamento teria permitido que o então deputado estadual TH Jóias destruísse provas antes do cumprimento da Operação Zargun. O ex-parlamentar foi preso em setembro de 2025 sob suspeita de utilizar o mandato para favorecer a facção criminosa.

A primeira prisão de Bacellar ocorreu em dezembro do ano passado, durante a fase inicial da Operação Unha e Carne. Na ocasião, o plenário da Alerj revogou a prisão preventiva, permitindo que ele respondesse às investigações em liberdade mediante medidas cautelares impostas pelo STF, entre elas o afastamento da presidência da Casa e o uso de tornozeleira eletrônica.

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