STF determina transferência Bacellar para presídio federal
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Justiça

STF determina transferência de Rodrigo Bacellar para presídio federal

Em nova fase da Operação Unha e Carne, ex-presidente da Alerj voltou a ser alvo de mandado de prisão preventiva

Rodrigo-Bacellar
Foto: Divulgação

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a transferência do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), para um presídio federal.

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Nesta quinta-feira (2), Bacellar foi levado do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, para a Superintendência da Polícia Federal (PF), na Região Portuária do Rio de Janeiro, após voltar a ser alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo STF durante a quinta fase da Operação Unha e Carne.

A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, além de três mandados de prisão preventiva. Também foram alvos o pastor e empresário Marcio Poncio, preso na Barra da Tijuca, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que já estava preso. Entre os investigados está ainda o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que teve endereços alvo de buscas.

Segundo a Polícia Federal (PF), esta etapa da investigação aprofunda a apuração sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à atual cúpula do jogo do bicho e às relações entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos. Os investigadores afirmam que, nas fases anteriores da Operação Unha e Carne, foram apreendidas listas atribuídas a Adilsinho contendo registros de uma suposta mesada paga a políticos e anotações sobre doações eleitorais destinadas a agentes públicos.

Rodrigo Bacellar é investigado por suspeita de vazar informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes do Comando Vermelho (CV). De acordo com a investigação, o vazamento teria permitido que o então deputado estadual TH Jóias destruísse provas antes do cumprimento da Operação Zargun. O ex-parlamentar foi preso em setembro de 2025 sob suspeita de utilizar o mandato para favorecer a facção criminosa.

A primeira prisão de Bacellar ocorreu em dezembro do ano passado, durante a fase inicial da Operação Unha e Carne. Na ocasião, o plenário da Alerj revogou a prisão preventiva, permitindo que ele respondesse às investigações em liberdade mediante medidas cautelares impostas pelo STF, entre elas o afastamento da presidência da Casa e o uso de tornozeleira eletrônica.

Em março deste ano, o ex-presidente da Assembleia voltou a ser preso por determinação de Moraes, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar seu mandato. A decisão ocorreu no processo que também condenou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) por irregularidades em contratações da Fundação Ceperj.

Além das prisões e das buscas, o Supremo determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 22 milhões.

As defesas dos investigados negam as acusações.

A defesa de Rodrigo Bacellar informou que ainda está analisando o teor da nova decisão judicial. A advogada de Marco Antônio Cabral afirmou que o ex-deputado nega “qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita” e permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Já a defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho declarou que o empresário “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos” e afirmou confiar “no Poder Judiciário e no devido processo legal”.

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