Michelle Bolsonaro estragou tudo… especialmente para ela e para suas aliadas. Priscilla Costa, por exemplo, estava sendo considerada para vice pelo próprio Flávio, como uma forma de acomodar a pressão da madrasta por espaços de poder. Essa possibilidade agora é nula, como também é nula qualquer chance da vereadora de postular uma cadeira no Senado. Corre até o risco de nem ter a legenda para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O eleitor bolsonarista, irado com o vídeo-traição, já se questiona se Michelle tem condições de ser senadora. Se na hora H, apertará o botão do impeachment de Alexandre de Moraes ou se defenderá o perdão a seu “irmão em Cristo”, mesmo sendo ele considerado por este mesmo eleitor bolsonarista o algoz de Jair, o assassino de Clezão; o torturador de Filipe, Anderson e Heleno, o carrasco do estado democrático de direito.
Michelle Bolsonaro estragou seu sobrenome, por isso está sendo chamada nas redes sociais apenas de Michelle Firmo, e comparada à rainha Jezabel.
A ira do eleitor bolsonarista não é só pelo ato desarrazoado que parece aumentar o sofrimento do marido preso injustamente, mas também pela postura constrangedoramente vitimista tão comum às feministas de esquerda. Alegar não ter ‘lugar de fala’ na política soa hipócrita, quando ela mesma ocupa posição de dirigente partidária, controla o PL Mulher com mão de ferro e dispõe de recursos financeiros e humanos que muitas lideranças de direita nem sonham acessar.
Dizer publicamente que foi humilhada por seu enteado soa como uma tentativa barata de sabotar a pré-candidatura de Flávio, colando nele e em todos os homens do PL, a pecha de misógino. Pior é que nada disso tem amparo na realidade. Parece o caso da Ortobom, que tem uma CEO como mulher, mas acabou condenada por não ter mulheres na gerência da unidade de Arapongas (PR).
É tão sem propósito, considerando que Flávio votou (e eu critiquei) pelo PL da Misoginia (um projeto de esquerda) e sempre considerou a escolha de uma mulher (e eu elogiei) para a posição de vice. Horas antes do fatídico vídeo de Michelle, ele exaltava o nome da deputada Bia Kicis (presidente do PL-DF) como eventual companheira de chapa, assim como fez dias antes com a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).
De Tereza Cristina a Daniella Marques, não faltam nomes de grandes mulheres, seja no PL ou entre partidos aliados, para ocupar o Palácio do Jaburu numa gestão Flávio. Ironicamente, nenhuma delas se faz de vítima ou usa a ‘carta do gênero’ para trucar o debate político. Muito pelo contrário! São lideranças legítimas, que construíram suas trajetórias com o cérebro, não com a genitália.
Equilibram política e maternidade com maestria, carregam suas crias e famílias nos braços com orgulho, não como um fardo. Dias atrás, Júlia interrompeu uma entrevista ao vivo no meu programa para amamentar Olívia de pouco mais de 1 aninho, a mesma que já levou ao plenário durante uma votação. Eu aplaudi. Soube ontem que Daniella também se divide entre a campanha de Flávio e a maternidade do pequeno Arthur, de apenas 1 ano e meio. Aplaudi de novo.
De fato, é um privilégio para a direita tê-las na política e o 01 sabe muito bem disso. Elas não são exceção, mas a regra entre milhões de eleitoras que precisam ser alcançadas por políticas públicas que não as tratem como vítimas, mas como protagonistas de suas vidas e famílias, gerando um ciclo de prosperidade material e espiritual para toda a sociedade. Esse será o pano de fundo do evento de Flávio com mulheres conservadoras, na próxima quarta-feira.
Michelle foi convidada, mas ainda não confirmou presença.
