O programa ALive desta quinta-feira (25) abordou o conflito interno no PSOL após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticar a cúpula do partido pelos critérios de distribuição do fundo eleitoral deste ano. A parlamentar apontou suposto tratamento desigual na destinação de recursos e citou o caso da pré-candidatura de Manuela D’Ávila ao Senado, recém-filiada.
Erika afirmou que a distribuição representa “o privilégio branco e cis sobrepondo tudo”. Disse ainda que a situação é desfavorável a ela e configura “uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL”.
Para a apresentadora Júlia Lucy, o caso de Hilton deixa claro que “a ideia de que o discurso que se faz para a sua militância não necessariamente é o mesmo que direciona as decisões internas” do partido.
“Então, se por um lado o PSOL diz que quer representatividade negra, que quer representatividade trans, a gente vê acusações de Hilton de que essa direção não está sendo cumprida”, disse a cientista política. “Parece que o próprio PSOL sucumbiu àquilo que sempre disse combater”.
Ainda de acordo com Lucy, a exposição feita por Hilton de que o PSOL “não está cumprindo a agenda progressista” é a “prova cabal” de que o progressismo não funciona: “É um discurso de pega-tolo. Tem que ser muito tolo para não perceber que é apenas uma questão eleitoral”.
A analista política Luciana Lippi, que participou do ALive de hoje, seguiu a mesma linha e afirmou que “nem o próprio PSOL, que tem toda aquela agenda de inclusão, ou ao menos diz que tem, aguenta mais a Erika Hilton”. Disse ainda que a pauta woke, associada à esquerda, está “saturada” para parte da população e que esse discurso não cola mais.
“A sociedade já entendeu que, para escrever a cartilha woke, precisa ter uma bolha de militante. Essa bolha, por cabeça, não pode ter mais do que dois neurônios. Isso é um fato. E eles esperam em algo e querem pautar a sociedade com aquilo que eles entendem ser a realidade”, criticou.
