TCE-RJ apura aporte de R$ 90 mi da Cedae em Digimais
Brasília, Quarta, 24 de junho de 2026
Justiça

TCE-RJ apura aporte de R$ 90 mi da Cedae em Digimais

Investimento feito durante o governo Cláudio Castro segue sob análise após operação da Polícia Federal contra o Digimais

Operação da PF deve suspender compra do Digimais pelo BTG
Foto: Reprodução

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Por Redação

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) mantém aberta uma investigação sobre um aporte de R$ 90 milhões realizado pela Cedae no Banco Digimais, instituição financeira que foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23). As informações são do G1.

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O investimento foi realizado durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). O processo tramita no TCE desde novembro de 2025, quando o conselheiro José Gomes Graciosa determinou a abertura de uma inspeção especial para apurar a aplicação dos recursos. Atualmente, o procedimento permanece na presidência da Corte em fase de recebimento de documentos.

A investigação ganhou novo contexto após a operação da PF que apura suspeitas de manipulação de resultados contábeis para ocultar a situação econômico-financeira do Banco Digimais.

No mercado financeiro, a instituição já era apontada como uma operação de maior risco, em cenário semelhante ao que envolveu o Banco Master. O banco oferecia taxas de retorno acima da média para atrair investidores.

Aplicação foi feita pela diretoria financeira da Cedae

O aporte foi autorizado por Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da Cedae e aliado político de Cláudio Castro.

Segundo ele, os R$ 90 milhões foram aplicados em um DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), modalidade financeira com prazo definido para resgate.

Antônio Carlos afirmou que a operação seguia a estratégia financeira da companhia para ampliar receitas e sustentou que não existia risco de perda dos recursos porque o investimento possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

De acordo com o ex-diretor, R$ 50 milhões já haviam retornado aos cofres da estatal ainda durante sua gestão. Os R$ 40 milhões restantes, segundo ele, também estariam protegidos pelo mecanismo de garantia.

O ex-gestor declarou ainda que não recebeu alertas de órgãos de controle sobre eventuais riscos relacionados ao investimento.

Cedae reduz exposição ao banco

Mesmo após a privatização dos serviços de distribuição de água e esgoto, a Cedae continua responsável pela captação e tratamento de água no estado e permanece vinculada ao governo fluminense.

Em nota, a companhia informou que a atual administração alterou sua Política de Aplicações Financeiras. A nova regra foi aprovada pelo Conselho de Administração em 19 de maio.

Segundo a empresa, ainda restam R$ 17 milhões aplicados no Banco Digimais, com vencimento previsto para esta quarta-feira (24). A previsão é que os recursos sejam transferidos para bancos classificados como segmento S1 pelo Banco Central, grupo que reúne as maiores instituições financeiras do país.

O caso segue sob acompanhamento do Tribunal de Contas, enquanto a Polícia Federal avança na investigação sobre a situação financeira do Digimais.

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