O programa ALive desta terça-feira (23) abordou a megaoperação da Polícia Federal (PF) contra fraudes do Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Para a corporação, a instituição teria “adotado práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas” às do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Investigações da PF, com base em relatórios do Banco Central (BC), indicam manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para esconder a real situação financeira da instituição e sustentar a aparência de solvência diante dos órgãos de controle, além de viabilizar operações apontadas como irregulares.
De acordo com o analista financeiro Carlos Suslik, da L4 Capital e que participou do programa de hoje, existem “grandes diferenças” entre o Master e o Digimais, como o tamanho do rombo, menor no caso do Digimais em relação ao Banco Master, e o perfil de origem de cada instituição.
Segundo ele, o Master, antes de ser liquidado, tinha um modelo voltado desde o início para estruturas fora do comum. Suslik afirma que o banco de Vorcaro era, desde os primórdios, “feito para ter fundos exóticos” e que teria sido “preparado para isso”: “Foi sempre sendo colocado com precatórios, fundos ruins e compras esquisitas”.
Já o Digimais, de acordo com o analista, é um banco voltado principalmente para crédito consignado e cartão de crédito. O problema, segundo ele, ocorreu quando houve deterioração nesses segmentos, já que, em determinado momento, a “inadimplência explodiu”.
Nessas situações, seria necessário, segundo ele, recompor a carteira e reforçar o capital. No entanto, o banco não tinha como “colocar dinheiro”, “começou a maquiar os balanços e aí deu no que deu [a operação da PF de hoje]”.
“Com o passar do tempo, a gente vai descobrir o que levou a essa quebra [do Digimais], mas a origem dele é diferente [do Master]. Mas tem fraude também. Tem fraude, tem um monte de coisa”, completou Suslik.

