A pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23) mostra que 59% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Ao mesmo tempo, 74% dos entrevistados afirmaram ser contra a possibilidade de os Estados Unidos atuarem em território brasileiro contra integrantes das facções sem autorização do governo federal.
O levantamento foi realizado nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 pessoas em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Maioria aprova classificação
Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados disseram concordar totalmente com a classificação das facções como organizações terroristas. Outros 14% afirmaram concordar em parte.
Já 22% declararam discordar totalmente da medida, enquanto 11% disseram discordar em parte. Apenas 1% afirmou não concordar nem discordar e 7% não souberam responder.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos no fim de maio.
Rejeição à atuação sem autorização
Apesar do apoio majoritário à classificação, a pesquisa identificou resistência à possibilidade de uma atuação direta dos Estados Unidos no Brasil sem consentimento das autoridades nacionais.
Segundo o Datafolha, 74% dos entrevistados rejeitam esse cenário.
Conhecimento sobre a medida
O levantamento também avaliou o grau de conhecimento dos brasileiros sobre a decisão adotada pelos Estados Unidos.
Entre os entrevistados, 35% afirmaram estar bem informados sobre o tema. Outros 37% disseram estar mais ou menos informados e 11% relataram ter conhecimento limitado sobre o assunto.
Já 13% afirmaram não ter tomado conhecimento da classificação das facções como organizações terroristas, enquanto 5% não souberam responder.
Ao todo, 83% disseram ter tomado conhecimento da medida adotada pelo governo americano.
Flávio Bolsonaro e a decisão dos EUA
A pesquisa também questionou os entrevistados sobre a possível influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão do governo dos Estados Unidos.
Segundo o Datafolha, 54% consideram que o parlamentar teve algum grau de influência no processo. Outros 30% afirmaram que ele não teve participação, enquanto 16% não souberam responder.
Entre aqueles que acreditam que Flávio influenciou a decisão, 57% classificaram essa influência como negativa para o Brasil. Já 37% consideraram positiva. Outros 3% afirmaram que não foi nem positiva nem negativa, enquanto 2% não souberam opinar.
O senador esteve em Washington em maio e participou de encontros nos Estados Unidos dias antes do anúncio da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano.
