O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu para falar em audiência pública nos EUA antes da decisão final sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O evento está marcado para 6 de julho, em Washington, e será realizado pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA).
Em carta enviada ao USTR, o senador afirma que “pretende testemunhar contra as tarifas e a favor de uma solução negociada”. Diz ainda que “se opõe a qualquer medida contra o Pix”, o sistema de pagamentos instantâneo do Brasil. “As tarifas propostas vão beneficiar o governo que conduz as medidas descritas, prejudicando exportações brasileiras, importadores americanos, consumidores americanos e a oposição brasileira, que é a principal vítima da conduta em questão”, escreve Flávio.
O senador pede cinco minutos de fala, tempo padrão nessas audiências, e solicita ser ouvido na condição de senador e pré-candidato à Presidência.
Nas redes sociais, Flávio afirmou que o objetivo é “defender os interesses do povo brasileiro”: “Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”.
Ele também disse que Lula (PT) “não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas”, e que o petista “acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”.
A proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi apresentada pelo governo Trump no início do mês. A justificativa é uma suposta prática comercial desleal por parte do Brasil. Entre os pontos citados estão comércio digital e desmatamento ilegal. Alguns produtos, como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves, ficaram de fora da medida, que pode entrar em vigor em 15 de julho.
A medida é baseada em investigação conduzida sob a Seção 301, aberta em julho de 2025 pelo USTR, que concluiu que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.
O relatório final prevê a imposição de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Tendo por base essa possibilidade, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil”.
