O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), participou nesta terça-feira (22) de um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Durante o discurso, o governador apresentou sua visão para a economia, defendeu a redução do tamanho do Estado e afirmou que pretende ampliar a agenda de privatizações caso chegue à Presidência da República.
Ao falar para empresários e representantes do setor produtivo, Zema sustentou que a participação do Estado na economia precisa ser reduzida. Segundo ele, experiências adotadas em Minas Gerais servem de referência para uma eventual gestão federal.
“Não existe vaca sagrada quando se fala em estatal, lá em minas foram mais de 15 vendidas.”
“E no Brasil eu vou privatizar tudo também, nós não vamos perder essa oportunidade.”
“Hoje nós temos estatais que só são estratégicas para os políticos e não para o brasileiros.”
O governador também associou sua entrada na política ao cenário econômico e institucional do país. Segundo ele, o ambiente político influencia diretamente o desenvolvimento econômico e as oportunidades para empresas e profissionais.
“Almoçado com um vereador, com um prefeito, meu contato com o Estado era receber fiscais. Nada além disso. Mas aí eu vi que não adianta estudar muito, não adianta ser um bom profissional, não adianta montar um bom negócio se você está no país que está fundando. O que vale uma empresa na Venezuela? Provavelmente nada. O que um bom profissional consegue na Venezuela? Nada. Deve estar procurando emigrar para outro país. E foi isso que me levou a ser candidato ao governo de Minas em 2018”.
Ao defender maior participação de empresários na política, Zema afirmou que a experiência do setor privado pode contribuir para a gestão pública. O governador disse que o Brasil precisa ampliar a presença de representantes ligados à atividade produtiva nos espaços de decisão.
“O Brasil é o setor produtivo. Acho que nem todos aqui tiveram a oportunidade de estar dos dois lados do balcão, no setor privado e depois no setor público com o meu time. Setor público, pessoal, é uma ansiada de oportunidades. Acho que muitos aqui já escutaram aquele ditado que a gente usa muito lá em Minas Gerais, que é, o mar estava tão alto, tão alto, que qualquer coisa se cega, faz um belíssimo trabalho, e lá em Minas deu pra fazer. Lá nem precisava de coisa, o mar não, você já ia levando o mar, que era cinco metros de altura. Despejo disso, malamos o recurso público para todos os lados. E lá nós conseguimos se melhorar muito, então eu falo que quem sabe fazer o gestão, consegue naturalmente, sem grandes esforços, melhorar o seu conjunto, aí eu quero fazer uma perda aqui, tem muita gente como eu, aí na fase do pós-carreira, se cantando em batalha, a prefeita, o deputado estadual, federal, mandaram uma oportunidade, sei que agora também, em cima da hora, porque o setor público pode contribuir muito, o setor privado pode contribuir muito com o público do Brasil, andando lá, que nem todos, onde menos, eu já escutei uns 40 prefeitos, mas é, só a sua prefeita com sua causa, via seriedade no seu governo. Eu pensei em política e falei, hoje não é a minha cidade, foi o que está fazendo lá, não precisa ser jeito, não sou jeito, precisa só voltar um time bom. E não, nós temos que ter esse compromisso, o Brasil não vai dar certo se o setor privado não começar a eleger mais representantes. E a política infelizmente atrai tanta gente tão mau e ruim. Gente, tem que enriquecer, ficar milionário, sem falar como nós aqui já tivemos de falar. Não tem nada a ver com ganhar dinheiro, mas para ganhar dinheiro tem que ser privado, o único que tem a poder é ser filho. Aí não tem nada a ver com ganhar dinheiro. Tem que ter boa pação, e boa barra, ninguém quer ser. Para poder abusar de criancinho, e no setor público parece que existe isso, né? Faz, de quem está ser lindo, mas só pode ser lindo, um pouco de poder mais alto. Está insupremendo o Tribunal Federal como exemplo. O Brasil não é um país fracassado, o Brasil é sempre um país roubado.“
Durante a apresentação, o governador também citou resultados de sua administração em Minas Gerais. Ele afirmou ter reduzido despesas, reorganizado as contas estaduais e recuperado a situação financeira do estado.
“E parece que Minas gostou do meu governo, porque em 2022 mesmo Bolsonaro, tendo lançado alguém dele, que teve 10% dos votos, eu ainda fui reeleito em primeiro turno. E pra resgatar Minas, que tava quebrada, arruinada, fazia o que todo mundo aqui faz, enxugar, reduzir o despenso. E lá foram quase 50 mil carros. E a situação do Estado era de calamidade. 240 mil funcionários do Estado, com os nomes sujos no SPC e Serasa, porque o governo tinha descontado o impresso que consignava. Deles e não é passado aos bancos. Esse até foi um dos primeiros parlamentos que eu fiz. Só esse, 600 milhões de reais.“
Zema também fez críticas à condução econômica do governo federal. Segundo ele, o crescimento do país enfrenta obstáculos relacionados aos gastos públicos e ao ambiente econômico.
“A Política Nacional do PT é igual aqueles carros com freio de mão puxado (…) e essa taxa de juros é o maior motivo disso”.
Ao abordar o tema da segurança pública e do combate à corrupção, o governador defendeu mudanças de postura na administração pública e afirmou que essa foi uma das prioridades de sua gestão em Minas Gerais.
“Mas o que tem de esgoto aqui (em Brasília) dá para inundar o restante do Brasil. Então, esse choque de credibilidade, esse choque ético é fundamental. Segundo, um choque contra a gastança do mundo e do PT. Eu vou detalhar agora como. E terceiro, um choque contra a bandidagem, contra os criminosos. Choque de credibilidade.
Quando eu assumi o governo de Minas, estava no meu discurso 1º de janeiro de 19. Minha principal meta de função é combater corrupção. E acabou em Minas.
Nunca recebi uma proposta indecorosa. Moro na mesma cidade do banqueiro bandido. Ele nasceu lá, foi criado, estudou, casou, teve filhos, é a residência dele.
Nunca encontrei com ele. Ele nunca sequer me pediu uma audiência. Eu falo que a assombração sabe para quem aparecer.
E para mim, não aparecer. Nunca no meu governo, nos sete anos e meio, tivemos esquemas, corrupção, escândalos. O meu governo não foi um governo bom em gerar notícias, como o Brasília, que gera com tanta frequência.
Ainda bem que tem Brasília para os jornais de Minas buscar notícia, porque lá não teve nada de escândalo. Zero corrupção. Porque essa foi a marca.
E eu falei para todos os poderes de Minas, para Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria, eu estou aqui para fazer o certo. Não contem comigo nem com a minha equipe para fazer nada errado. E se tiver algo errado, eu vou ter investigação.
Será que aqui em Brasília a postura é assim? Eu acho que não. Até o contrário. Eu não vou perdendo o ombro aqui.
E nenhum pré-candidato tem criticado tanto essa farra dos intocáveis quanto eu. Não tenho rabo preso. Minha vida até hoje foi trabalhar, ralar e pagar impostos.”
Ao defender a redução da atuação estatal em setores econômicos, Zema afirmou que governos devem concentrar esforços em áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
“Os governos estatais e federais já tem muito o que fazer quando se fala de saúde, de educação, de segurança e de infraestrutura naquelas áreas que não são possíveis de serem concedidas? Já é uma tarefa gigantesca, e ainda mais com atividades que são no setor privado? Bancumastra, ele só teve envolvimento com banco estatal e com fundos de pensões estatais. Será que é isso que nós queremos no futuro? Parece que o setor privado não se comporta, mas aquilo que é o Estado está sempre sujeito. A gente vê esse petrolão, todo mundo aqui se lembra, e muitas outras questões. Esse estatal, eu, Viva Irmã, serve para atender. A política e não desenvolvimento econômico. Agora, nas mãos privadas, a história vai ser completamente diferente. O governo pode utilizar esses recursos para financiar o investidor privado, quando privatizar essas empresas. Sobre questão de ensino. O Estado admira as tenhas universidades estaduais.”
