A Polícia Federal (PF) identificou mensagens atribuídas ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em conversa com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, nas quais o parlamentar afirma que “precisava saber como estão as coisas do banco”. O conteúdo integra o material analisado no âmbito da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo a instituição financeira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo o relatório, o diálogo entre Wagner e Lima, ocorrido em agosto de 2024, faz parte de um conjunto de interações que, na avaliação dos investigadores, indicariam proximidade entre o senador e dirigentes ligados ao banco. A PF descreve o caso como possível “engajamento com pautas de interesse do Banco Master”.
Na mensagem citada na apuração, Wagner combina um encontro com o empresário em Brasília e menciona tanto assuntos políticos quanto a situação da instituição financeira. “Oi, Guga… vamos marcar outra hora… agora, se estiver em Brasília, vamos marcar que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco… quero lhe passar como é que estão as questões da eleição”, diz o trecho atribuído ao senador.
Após a conversa, os dois teriam se reunido na capital federal. De acordo com a investigação, na sequência houve troca de mensagens envolvendo temas relacionados a uma proposta em tramitação no Senado sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que poderia afetar interesses do Banco Master.
O relatório também aponta que o período das conversas coincide com movimentações legislativas sobre o FGC e com contatos atribuídos a dirigentes do banco, incluindo o empresário Daniel Vorcaro, que teria buscado interlocução com o parlamentar.
Para os investigadores, o conjunto de mensagens, encontros e trocas de informações pode indicar acompanhamento direto de pauta legislativa de interesse do grupo investigado. A PF sustenta que as interações analisadas não seriam isoladas, mas recorrentes ao longo do período investigado.
Além das conversas sobre o sistema financeiro, a apuração menciona ainda diálogos relacionados à compra de um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, e pedidos de ingressos para eventos, como parte do material reunido.
Procurada, a defesa de Jaques Wagner afirmou que não houve qualquer atuação, intermediação ou negociação envolvendo o Banco Master. Segundo os advogados, os diálogos citados dizem respeito a relações pessoais e não configuram atuação institucional do senador.
A defesa reforça ainda que Wagner nunca atuou em favor de instituições financeiras e que sua atividade parlamentar é guiada pelo interesse público. Já a defesa de Augusto Lima nega irregularidades e afirma que ele sempre atuou dentro da legalidade.
O caso é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição financeira.
