O ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente nacional do PT, José Dirceu, declarou apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA) após a operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar na última fase da Operação Compliance Zero.
Em publicação na quinta-feira (18), Dirceu afirmou que Wagner se manifestou de forma “firme” diante das acusações e criticou o que chamou de antecipação de julgamentos antes da conclusão das investigações.
“Nosso companheiro Jaques Wagner foi firme e forte em sua declaração à imprensa sobre o mandado de busca e apreensão de hoje, e todo o pré-julgamento que está sendo feito. É preciso reforçar: ele não é réu, apenas um investigado. E, como tal, precisa ter garantida a presunção da inocência e o direito à ampla defesa. O ônus da prova é de quem acusa. Jaques tem a nossa confiança, a confiança do presidente Lula e do PT, e vai superar essa”, escreveu.
A manifestação de apoio ocorre em meio à repercussão da operação que investiga supostos pagamentos indevidos ligados ao Banco Master. A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, além de possíveis repasses de vantagens indevidas a agentes públicos.
Dirceu é pré-candidato a deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026 e voltou recentemente ao cenário político com articulações dentro da legenda. Em 2012, José Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Em 2016, ele teve a pena extinta por meio de indulto concedido no período natalino pelo então presidente Michel Temer.
Anos depois, já no âmbito da Operação Lava Jato, Dirceu voltou a ser condenado em diferentes processos entre 2017 e 2019, em decisões da primeira instância e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Mais recentemente, essas condenações e desdobramentos da Lava Jato passaram por revisões no Judiciário, com anulações e reavaliações de atos processuais que atingiram parte das sentenças relacionadas aos casos em que ele foi réu.
Operação Compliance Zero
Segundo os investigadores, o senador teria atuado em favor de interesses do banco no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido benefícios como imóveis e outros pagamentos indiretos. Wagner nega as acusações e afirma que não houve irregularidades.
O senador também relatou ter recebido uma ligação do presidente Lula (PT) após a operação. Em entrevista à BandNews na noite de quinta-feira (18), afirmou que o presidente manifestou solidariedade e reforçou confiança pessoal nele.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo. Dizer que mantém a absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos”, disse Wagner.
