PGR defende que STF rejeite pedido de revisão da condenação de Bolsonaro
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Justiça

PGR defende que STF rejeite pedido de revisão da condenação de Bolsonaro

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Redação

Em parecer enviado ontem (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra a revisão criminal apresentada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar anular a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão no caso da suposta “trama golpista”.

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Gonet pediu ao ministro Nunes Marques, relator da revisão criminal, que a ação nem sequer seja conhecida pela Corte.

A revisão criminal foi apresentada pela defesa de Jair em maio. Os advogados tentam derrubar a condenação imposta pela Primeira Turma do Supremo e alegam que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário da Corte.

Também sustentam que houve cerceamento de defesa, questionam a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid e pedem a absolvição do ex-presidente.

A PGR afirma no parecer que a revisão criminal não pode ser utilizada como uma nova instância recursal para rediscutir questões já analisadas pelo Supremo. Segundo Gonet, a defesa não apresentou fato novo, prova falsa ou ilegalidade manifesta que justifique a reabertura do caso, requisitos necessários para esse tipo de ação.

Para o procurador-geral, os argumentos apresentados refletem apenas “descontentamento” com os fundamentos adotados pela Corte.

Gonet também rejeitou a tese de que a Primeira Turma não teria competência para julgar o caso. Segundo o PGR, a definição do colegiado seguiu o Regimento Interno do Supremo e já foi analisada durante o processo. Ele sustenta que a regra que reserva ao plenário o julgamento de presidentes da República se aplica apenas ao chefe do Executivo em exercício, e não a ex-presidentes.

Outro argumento contestado pela defesa do ex-presidente foi o de que Bolsonaro ainda teria direito a embargos infringentes, recurso que poderia levar o caso ao plenário do Supremo. Gonet afirmou que a jurisprudência da Corte exige ao menos 2 votos pela absolvição para admitir esse tipo de recurso em decisões das Turmas. Como apenas o ministro Luiz Fux votou pela absolvição de Bolsonaro, a PGR entende que o recurso não seria cabível.

A Procuradoria também defendeu a validade da delação de Cid. Segundo o parecer, o acordo foi homologado regularmente, o ex-militar esteve acompanhado por advogados e a voluntariedade da colaboração foi confirmada em diferentes momentos do processo.

Já sobre a alegação de cerceamento de defesa, a PGR sustenta que os advogados tiveram acesso ao material da investigação e não demonstraram prejuízo concreto. Para Gonet, o volume de documentos e mídias decorre da complexidade do caso e não configura, por si só, violação ao direito de defesa.

A Procuradoria finaliza afirmando que o acórdão condenatório está amparado em um conjunto robusto de provas e que a revisão criminal não comporta um novo julgamento do caso.

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