O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira (12) que as Forças Armadas norte-americanas mataram Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, apontado como líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.
O Tren de Aragua é considerada a principal organização criminosa da Venezuela e já foi classificada pelos EUA como grupo terrorista. O grupo expandiu sua atuação para Colômbia, Peru, Chile e Brasil, onde investigações indicam presença em Roraima, na região de fronteira.
Em post na Truth Social, Trump afirmou que o Comando Sul dos EUA realizou um ataque “rápido e letal” que “executou com sucesso” Guerrero Flores. Segundo ele, o líder foi neutralizado na operação, realizada com coordenação de autoridades venezuelanas.
O subchefe de gabinete do secretário de Defesa, Pete Hegseth, Patrick Weaver, afirmou que a morte de Niño Guerrero “envia uma mensagem clara à América Latina” sobre o combate ao narcotráfico.
“A morte de Niño Guerrero envia uma mensagem clara à América Latina: não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério. O Departamento de Guerra e a Coalizão Anticartel das Américas (A3C) continuarão cumprindo a promessa do presidente Trump”, disse Weaver no sábado (13).
O Departamento de Estado dos EUA oferecia recompensa de até US$ 5 milhões (R$ 25,3 milhões) por informações que levassem à captura de Guerrero Flores.
Indiciado em dezembro por um tribunal federal de Nova York, Flores respondia por conspiração para extorsão e outros crimes, incluindo apoio a atividades terroristas, segundo autoridades norte-americanas. O procurador federal Jay Clayton afirmou à época que a organização era responsável por violência, extorsão e tráfico de drogas na América do Norte, América do Sul e Europa.
Guerrero Flores era apontado pelos EUA como líder da facção há mais de uma década. Sob seu comando, o grupo deixou de ser uma gangue prisional na Venezuela e se transformou em uma rede criminosa transnacional, com atuação em vários países das Américas.
Nascido em 1983 em Maracay, estado de Aragua, ele passou a ser citado em registros policiais no início dos anos 2000. Foi preso em 2010 por homicídio, tráfico de drogas e roubo, fugiu em 2012 e voltou a ser capturado no ano seguinte.
Na prisão de Tocorón, consolidou poder como principal “pran”, controlando estruturas paralelas dentro do presídio. Relatos indicam que também participou de eventos em áreas dominadas pelo grupo em Maracay, em 2015. Segundo o InSight Crime, a facção chegou a reunir cerca de 1.000 integrantes sob seu comando em 2020.
Dentro do sistema prisional, manteve uma estrutura paralela em Tocorón, com áreas de convivência, comércio e espaços de lazer.
Em setembro de 2023, uma operação militar venezuelana retomou o controle da prisão de Tocorón. Segundo a imprensa local, lideranças foram avisadas com antecedência e deixaram o local antes da chegada das forças de segurança. Guerrero não foi localizado.
Fora da prisão, o grupo ampliou atuação em mineração ilegal no estado de Bolívar, rotas de tráfico no Caribe e fronteiras com a Colômbia, segundo o Departamento de Estado dos EUA. A expansão acompanhou fluxos migratórios da crise venezuelana iniciada em 2014.
As autoridades atribuem ao Tren de Aragua crimes como extorsão, sequestro, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, mineração ilegal e lavagem de dinheiro. O grupo também atua em alianças com organizações criminosas regionais.
No Brasil, há registros de presença em ao menos seis estados, com maior concentração na região Norte, especialmente em Roraima, com ligação com PCC e Comando Vermelho.
No Equador, há relatos de vínculos com grupos associados ao cartel de Sinaloa. Na Colômbia, investigações apontam conexões com o Exército de Libertação Nacional (ELN).
