O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o pedido da Polícia Federal para transferir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro da carceragem da Superintendência da PF, em Brasília. Relator do caso Master na Corte, Mendonça solicitou manifestação da PGR antes de decidir sobre a remoção.
A solicitação da Polícia Federal prevê que Vorcaro seja transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde estava custodiado antes de ser levado para a carceragem da corporação.
O pedido foi apresentado no mesmo momento em que investigadores rejeitaram a segunda proposta de colaboração premiada entregue pela defesa do ex-banqueiro.
Segundo a avaliação da PF, o material apresentado não trouxe informações inéditas nem elementos probatórios considerados essenciais para um acordo de delação. Os investigadores concluíram que os relatos reproduziam fatos já conhecidos pelas apurações.
A corporação também considera que possui amplo material extraído de oito celulares apreendidos com Vorcaro. Os aparelhos contêm documentos e mensagens que, segundo investigadores, equivalem a uma “verdadeira colaboração premiada”.
A Procuradoria-Geral da República, que também mantém tratativas com a defesa do ex-banqueiro, ainda não apresentou posição formal sobre a proposta.
Nos últimos dias, PF e PGR analisaram conjuntamente o novo material apresentado pelos advogados de Vorcaro. A avaliação predominante foi a de que o conteúdo buscava mais justificar condutas e apresentar versões de defesa do que admitir crimes ou indicar novos alvos de investigação.
Esta é a segunda vez que a Polícia Federal abandona negociações para um possível acordo de colaboração. A primeira ocorreu em maio e resultou em mudanças na equipe de defesa do ex-banqueiro. Na ocasião, o advogado José Luis Oliveira Lima deixou o caso, que passou a ser conduzido pelo criminalista Sérgio Leonardo.
A Polícia Federal também argumenta que a permanência de Vorcaro na Superintendência em Brasília vem causando impactos na rotina da unidade. As celas da corporação costumam ser utilizadas como local de passagem para presos antes de transferências ao sistema penitenciário.
De acordo com investigadores, o ex-banqueiro está na carceragem da PF há quase três meses e recebe visitas frequentes de advogados e familiares.
Vorcaro é investigado por suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. As apurações apontam prejuízos a investidores e correntistas, incluindo fundos de previdência de estados e municípios, entre eles o Rioprevidência.
As investigações também indicam impacto estimado em cerca de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por cobrir aplicações de até R$ 250 mil.
Interlocutores da defesa contestam a avaliação dos investigadores. Segundo eles, a proposta apresentada contém informações inéditas e consistentes. Os advogados afirmam ainda que há resistência da Polícia Federal em avançar nas negociações para um acordo de colaboração.
