Deputados federais e senadores gastaram, juntos, R$ 42,32 milhões da cota parlamentar nos primeiros 5 meses de 2026 em despesas classificadas como divulgação da atividade parlamentar, de acordo com levantamento do site O Antagonista e da revista Crusoé, divulgado nesta manhã (12), com base em dados da Câmara e do Senado.
O valor é o maior registrado em termos nominais para o período desde o início da série histórica, em 2008. O recorde anterior havia sido registrado em 2024, quando os gastos chegaram a R$ 41,98 milhões.
Na Câmara, as despesas somaram R$ 40,09 milhões entre janeiro e maio de 2026. O resultado também é recorde para o período e supera os R$ 40,01 milhões registrados em 2024. No Senado, o gasto foi de R$ 2,22 milhões nos primeiros cinco meses de 2026, o segundo maior da série histórica. O número fica abaixo apenas dos R$ 2,65 milhões de 2025.
O avanço das despesas ocorre em um período típico de aumento no uso da cota em anos eleitorais ou no ano anterior às eleições. Isso ocorre por causa das restrições legais que limitam a utilização do benefício por parlamentares que disputam a reeleição.
Pelas regras em vigor desde 2012, deputados federais que vão concorrer não podem usar a cota para divulgação da atividade parlamentar nos 120 dias que antecedem a eleição. No caso dos senadores candidatos, a restrição vale para 180 dias.
A norma busca equilibrar a disputa eleitoral, já que candidatos fora do Congresso não têm acesso aos mesmos recursos para divulgação. Na prática, porém, os parlamentares tendem a concentrar gastos antes do início do período de proibição.
Em 2026, as restrições começaram a valer em 6 de junho e 7 de abril, conforme o tipo de mandato. Considerando o período de janeiro a junho, os deputados acumularam R$ 40,22 milhões em gastos. O valor é o 2º maior já registrado em anos eleitorais, atrás apenas dos R$ 46,90 milhões de 2024. Os números ainda podem ser atualizados, já que o mês não terminou e os parlamentares têm até 90 dias para apresentar a comprovação das despesas.
No Senado, os dados de janeiro a abril apontam R$ 2,05 milhões em gastos com divulgação da atividade parlamentar, o maior patamar já registrado para o período em anos eleitorais. Somando os valores até o início das restrições, o total chega a R$ 42,28 milhões, superado apenas pelos R$ 48,46 milhões de 2024, quando é considerado o mês completo de junho.
Na Câmara, entre janeiro e maio de 2026, os maiores gastos individuais foram de Eunício Oliveira (MDB-CE), com R$ 222 mil, Andréia Siqueira (PSB-PA), com R$ 220 mil, e Wilson Santiago (Republicanos-PB), com R$ 216,2 mil. Considerando os primeiros dias de junho, Moses Rodrigues (União-CE) aparece com R$ 218,5 mil.
Já no Senado, entre janeiro e maio, os maiores gastos foram de Styvenson Valentim (Podemos-RN), com R$ 159,69 mil, Jayme Campos (União-MT), com R$ 144,75 mil, e Zenaide Maia (PSD-RN), com R$ 126,55 mil. Considerando apenas até abril, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aparece com R$ 112 mil, seguido por Jayme Campos com R$ 96 mil.
