A Polícia Federal (PF) rejeitou pela segunda vez a proposta de acordo de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado no Caso Master. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (11) à defesa do empresário e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro está preso em Brasília e é apontado pelas investigações como líder de um esquema de fraudes financeiras que, segundo estimativas da PF, pode ter causado prejuízos de até R$ 12 bilhões.
De acordo com fontes ligadas à investigação, a nova proposta de colaboração não trouxe informações consideradas relevantes o suficiente para justificar a celebração do acordo. A avaliação dentro da PF é de que parte do material entregue pela defesa repete elementos já conhecidos pelos investigadores e não avança sobre fatos considerados centrais para o aprofundamento das apurações.
O inquérito envolvendo o Caso Master ganhou novas dimensões após a apreensão de mais de oito aparelhos celulares atribuídos a Vorcaro. Segundo as investigações, a análise preliminar do material revelou indícios que extrapolam as suspeitas iniciais de crimes financeiros.
A PF passou a apurar possíveis práticas relacionadas a corrupção, organização criminosa, vazamento de informações sigilosas e até a utilização de estruturas privadas para monitoramento e intimidação de adversários.
Prisão e negociações
Em março, Vorcaro deixou a Penitenciária Federal de Brasília e foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal na capital federal. Inicialmente, ele permaneceu em uma sala especial, mas posteriormente foi deslocado para uma cela comum após solicitação da própria PF.
A mudança ocorreu no mesmo período em que sua defesa iniciou tratativas para um acordo de delação premiada. Na ocasião, o banqueiro assinou um termo de confidencialidade e autorizou o início das negociações com os investigadores.
No começo de maio, os advogados concluíram os anexos da proposta de colaboração e entregaram o material às autoridades. Nem a primeira nem a segunda versão da delação, porém, conseguiram convencer a Polícia Federal.
