Durante o programa ALive desta quinta-feira (11), o cientista de dados e escritor Leonardo Dias expôs uma série de incoerências da pesquisa Quaest, divulgada ontem (10). De acordo com ele, uma das inconsistências no levantamento é a “margem de erro”, já que “cada pergunta que é feita tem uma margem de erro diferente”.
“Porque depende da quantidade de não respondentes, tem uma série de fatores”, afirmou. “Então, você não poderia dizer assim: ‘Olha, toda nossa pesquisa tem margem de erro de 2 pontos’, isso não é verdade. Você vai ter perguntas que vão ter margem de erro muito maior que 2 pontos”.
“Podendo chegar até a 3 pontos, em alguns casos, e se você fosse considerar essa pesquisa da Quaest, no futuro, com uma diferença de 6 pontos entre o Lula e o Flávio, uma margem de erro de 3 pontos daria um empate técnico”, explicou o cientista de dados.
Outra incoerência, de acordo com Dias, é que a Quaest de ontem também “enviesa” a amostra na questão da renda: “Trazendo mais pessoas da faixa de 2 a 5 salários mínimos e acima de 5 salários mínimos, e menos na faixa de até 2. Ou seja, a pesquisa é uma pesquisa que pesquisa gente rica”.
O cientista também expôs que a pesquisa, ao falar sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, e tarifas, alega que o republicano já aplicou novas taxas contra o Brasil, o que não é verdade: “Como é que Trump vai voltar atrás se elas não forem aplicadas? Então, quando eu uso um formulário para espalhar a narrativa”.
“É como se eu estivesse querendo dar uma informação para a pessoa, que ela depois pode repercutir na sua família, em casa, com os amigos, na sociedade”, explicou. “E eu estou usando a pesquisa como forma de influenciar as pessoas”.
“O Trump não vai voltar atrás nas tarifas porque elas nem foram aplicadas. Tem um relatório falando que ele poderia aplicar essas tarifas e ele quer negociar. É isso que é a verdade”, expôs Dias.
Segundo o cientista de dados, quando o instituto faz uma pergunta em que tenta “impor uma realidade que não existe”, acaba “fazendo o que pessoas que têm transtorno de personalidade fazem, é ‘gaslighting‘”: “Estou criando uma ilusão de algo que não ocorreu. Tentando mudar o passado”.
Ainda de acordo com Dias, desde 2022, é claramente visível que os entrevistadores dos institutos de pesquisa parecem “agentes de propaganda”: “Porque ele está ali colocando pautas que ajudavam a esquerda o tempo todo. Eu acho que esse é o grande problema”.

