O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde histórico em maio, de acordo com dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados ontem (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A parcela de famílias endividadas chegou a 81,6%, ante 80,9% em abril e 78,2% em maio de 2025. O resultado é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2010, e marca o 5º mês consecutivo de alta.
O avanço do endividamento veio acompanhado do aumento da inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso subiu para 29,9% em maio, acima dos 29,7% registrados em abril e dos 29,5% observados no mesmo período de 2025.
Já a parcela de consumidores que afirma não ter condições de quitar as dívidas permaneceu em 12,3% pelo terceiro mês consecutivo, indicando que parte das famílias segue sem conseguir recuperar a saúde financeira.
O cenário é mais grave entre os brasileiros de menor renda. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento alcançou 84,6% e a inadimplência chegou a 38,6%.
Entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, embora 71,4% também tenham dívidas, o percentual de contas em atraso é de 15,4%, evidenciando a maior vulnerabilidade das famílias de baixa renda aos juros e ao atraso nos pagamentos.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento, presente em 84,6% dos casos. O crédito rotativo cobra juros de 428,3% ao ano. Em seguida aparecem os carnês de loja, com 16,1%; o crédito pessoal, com 13,1%; e o crédito consignado, com 6,9%.
O levantamento também mostra que a renda comprometida com dívidas caiu para 29,3%, o menor nível desde maio de 2019. O tempo médio de atraso recuou para 65 dias.
Além disso, 33,3% das famílias possuem dívidas com prazo superior a um ano, enquanto 17% se consideram “muito endividadas”.
