Entidade vê conflito de interesses em comitê do CNJ sobre supersalários
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Justiça

Entidade vê conflito de interesses em comitê do CNJ sobre supersalários

Rede Governança Brasil afirma que magistrados beneficiados por verbas acima do teto constitucional não deveriam participar da regulamentação dos próprios benefícios

Cris Nardes, fundadora da RGB. Foto: Reprodução/RGB.

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Por Redação

A Rede Governança Brasil (RGB) criticou nesta terça-feira (9) a composição do grupo de trabalho criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para analisar os chamados “penduricalhos” da magistratura. Segundo a entidade, a participação de magistrados que receberam remunerações acima do teto constitucional levanta dúvidas sobre a independência do colegiado e evidencia problemas de governança no Judiciário.

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Em nota, a organização afirmou que a ausência de representantes externos, como integrantes de órgãos de controle, auditores independentes e membros da sociedade civil, compromete a credibilidade da iniciativa. Para a RGB, a discussão sobre benefícios e verbas indenizatórias perde força quando conduzida por pessoas potencialmente beneficiadas pelas regras atualmente em vigor.

A crítica ocorre após a divulgação de informações sobre os rendimentos de integrantes do grupo de trabalho, que, em alguns casos, ultrapassaram o teto constitucional por meio de verbas indenizatórias e outros pagamentos previstos na legislação.

Fundadora da RGB, Cris Nardes afirmou que o modelo adotado cria um cenário de autorregulação incompatível com princípios básicos de governança pública.

“Não há efetividade em um modelo de governança onde o regulado é o próprio regulador dos seus privilégios. O uso sistemático de verbas indenizatórias para burlar o teto constitucional fere a confiança da sociedade e demonstra que, na administração pública, nem tudo que encontra brecha legal é ético ou íntegro.”

A entidade também argumenta que a discussão não deve se limitar à legalidade dos pagamentos, mas considerar aspectos relacionados à moralidade administrativa, transparência e confiança pública nas instituições.

Segundo a RGB, a existência de mecanismos que permitem remunerações acima do teto constitucional tem alimentado críticas sobre a política remuneratória do Judiciário e reforçado a necessidade de maior fiscalização.

Na avaliação da organização, qualquer proposta voltada à revisão dos chamados penduricalhos precisa ser conduzida com participação externa e mecanismos independentes de controle.

“Para que haja uma verdadeira proteção do erário, é imperativo que o debate sobre a remuneração da magistratura deixe de ser um simulacro de moralização e passe a ser conduzido com independência, controle social e estrita observância aos pilares fundamentais da governança corporativa e pública”, afirmou a entidade.

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