A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, rebateu nesta segunda-feira (8) declarações do pastor Silas Malafaia durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília. O evento reuniu dirigentes partidários, militantes e lideranças religiosas em meio à estratégia da legenda para ampliar sua interlocução com o segmento evangélico.
Ao discursar para os participantes, Janja citou críticas feitas por Malafaia após encontros que ela realizou com mulheres evangélicas no ano passado.
“Ele teve a cara de pau de ir a uma rede social e falar que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher pra mim é importante, não importa se eu fiz uma reunião com duas, com três, com duzentas ou com mil. O que importa é que eu conversei, o que importa é que eu as ouvi, e isso é o que foi mais importante”, afirmou.
A declaração foi recebida com aplausos da plateia. Em outro momento, Janja voltou ao tema e acrescentou:
“Eu também não chamo ele de pastor”.
O encontro ocorre em um momento em que o PT busca ampliar sua presença entre os evangélicos, grupo que representa 26,9% da população brasileira, segundo o Censo de 2022.
Durante sua fala, Janja afirmou que o partido precisa retomar o diálogo com as igrejas e disputar espaço junto a esse eleitorado.
“A gente acabou vestindo uma carapuça que não é nossa e precisa voltar para dentro das igrejas. Somos nós, mulheres, que vamos decidir essa eleição”, declarou.
A primeira-dama também avaliou que a disputa política exige presença em diferentes ambientes sociais e religiosos.
“Mas a gente não pode deixar de considerar que, se não usar da forma correta, eles usam”, afirmou.
Lula e a relação com a fé
Janja também comentou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marcha para Jesus, realizada na última quinta-feira (4), em São Paulo.
Segundo ela, Lula é católico e evita transformar espaços religiosos em plataformas políticas.
“Lula é católico, sente falta de ir à missa, mas não quer transformar a igreja em palanque político”, disse.
O presidente enviou como representante do governo ao evento o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que é evangélico.
Autocrítica e diálogo com mulheres evangélicas
Ao longo do encontro, Janja fez uma reflexão sobre a relação entre setores progressistas e mulheres evangélicas. Ela afirmou que tem buscado compreender as barreiras existentes entre esses grupos.
“É muito difícil falar ‘esquerda e direita’. Se a gente continuar nisso, a gente vai ficar patinando igual a um carro encalhado na lama”, afirmou.
“As dificuldades que as mulheres em seus territórios sentem são as mesmas. Não existe essa separação”, acrescentou.
Edinho reforça estratégia para 2026
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também participou do encontro e reforçou a estratégia de aproximação com o segmento evangélico.
Coordenador da campanha de Lula à reeleição, Edinho tem mantido reuniões frequentes com integrantes do Núcleo Evangélico do partido para discutir ações voltadas ao setor.
Durante o discurso, ele utilizou referências bíblicas e afirmou que os eleitores terão uma escolha de caminhos nas próximas eleições.
“A figura central no Evangelho é uma mulher: Maria Madalena”, declarou.
Ao encerrar sua participação, Edinho afirmou que os brasileiros terão de escolher entre “o caminho das armas” e o do Evangelho, onde todos têm “vida em abundância”.
