"Não tenho remuneração à altura dos milhares de processos que julgo"
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Corregedor do CNJ: ‘Não tenho remuneração à altura dos milhares de processos que julgo’

Foto: Reprodução/STF em Foco

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Por Redação

O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, afirmou que não tem uma “remuneração à altura dos milhares de processos” que julga no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde também é ministro. A declaração foi feita ao comentar o fim do auxílio-alimentação para magistrados, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento dos “penduricalhos”.

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A fala foi feita em entrevista concedida pelo ministro ao portal STF em Foco, na terça-feira (2), durante a 14ª edição do Fórum de Lisboa, evento mais conhecido como “Gilmarpalooza”.

Em março deste ano, o Supremo derrubou uma série de “penduricalhos” pagos a magistrados e membros do Ministério Público (MP). A decisão proibiu benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-creche, auxílio-combustível, indenizações por acervo e licenças compensatórias.

Para que o auxílio-alimentação volte a ser pago ao Judiciário, será necessária a aprovação de uma lei nacional pelo Congresso. Os parlamentares terão de definir quais “parcelas indenizatórias” poderão ser aplicadas a magistrados e membros do MP além do subsídio.

Campbell lamentou que só pode reclamar sobre o assunto “debaixo do chuveiro” de sua casa, afirmou que o “juiz não pode se manifestar” e criticou o fato de não poder “empresariar”: “Eu não posso exercer nenhum outro mundo que não seja o de juiz”.

“Então não é que eu tenha que ser muito remunerado, eu, por exemplo, digo que eu não tenho uma remuneração à altura dos milhares de processos que eu julgo no Supremo Tribunal da Justiça”, afirmou. “Eu já bati a casa de 130 mil recursos julgados em 18 anos”.

“Eu desafio um juiz fora do Brasil que tenha se aproximado dessa cifra. Não invejo, não sei se julguei bem todos os 130 mil processos, não, mas me esmerei o que pude e deveria, sim, receber um salário à altura do que eu trabalho pelo país”, completou o magistrado, ao criticar o fim do penduricalho.

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