O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou hoje (2) que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil e criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
“Dos nossos bandidos, nós cuidamos”, declarou o ministro ao comentar a medida anunciada pelo Departamento de Estado americano, que passa a valer a partir de 5 de junho.
Múcio participou da cerimônia de entrega do primeiro caça Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), em Linköping, na Suécia. Durante conversa com jornalistas, defendeu que o enfrentamento das facções criminosas seja tratado dentro dos limites da soberania nacional.
“Isso tem que ser uma solução intramuros, a gente tem que fixar na nossa soberania. Nós temos grandeza para resolver isso”, afirmou.
O ministro também classificou como inadequada a participação de outros países em temas relacionados à segurança interna brasileira.
“Nós sabemos como são nossos bandidos. Estou falando como cidadão. Gostaria que, dos nossos bandidos, nós cuidássemos. Acho uma intromissão um vizinho se meter nos problemas da minha casa. Sabemos que são bandidos. Precisamos achar caminhos para resolver”, disse.
A decisão americana tem provocado reações dentro do governo Lula. Integrantes do Palácio do Planalto argumentam que medidas adotadas unilateralmente por Washington podem representar interferência em assuntos internos brasileiros e gerar impactos sobre a cooperação bilateral no combate ao crime organizado.
Na avaliação de Múcio, o cenário internacional tem sido marcado por instabilidade e mudanças rápidas de posicionamento por parte dos Estados Unidos.
“Tem sido uma coisa tão intermitente, tão instável. Há 15 dias, o meu presidente estava nos EUA. Voltou em um clima de muita amizade e hoje nos surpreendemos”, declarou.
Na semana passada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. O governo americano afirma que as duas facções possuem atuação internacional e representam ameaça à segurança dos Estados Unidos.
