O apresentador Luciano Huck afirmou que falhas na gestão pública e a concentração de renda em programas assistenciais podem dificultar a mobilidade social e reduzir incentivos para que famílias deixem políticas de transferência de renda. A declaração foi feita durante participação no 5º Fórum Esfera, realizado no sábado (23), no Guarujá, litoral de São Paulo.
Ao abordar a realidade de municípios dependentes de benefícios sociais, Huck citou o caso de Senhor do Bonfim e argumentou que a forte presença do Bolsa Família na economia local dificulta a criação de alternativas de autonomia financeira.
“Ao concentrar 56% da sua economia no Bolsa Família, você não gera nenhum estímulo para elas saírem”, afirmou o apresentador. Em seguida, acrescentou: “Na verdade, elas queriam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa ad aeternum”.
Huck também relacionou a falta de oportunidades à ineficiência da gestão pública e disse que parte da população passou a enxergar o empreendedorismo como uma saída para dificuldades econômicas.
“O empreendedorismo passou a ser uma forma de fugir do sofrimento”, declarou.
O Bolsa Família segue como o principal programa de transferência de renda do país. Em outubro de 2025, o benefício atendia cerca de 18,9 milhões de famílias, alcançando aproximadamente 49,4 milhões de pessoas em todo o Brasil.
Segundo levantamento do Poder360 citado durante o debate, programas vinculados ao chamado Estado de bem-estar social devem consumir ao menos R$ 441 bilhões em 2025, considerando iniciativas federais, estaduais e municipais. O estudo reúne ações de transferência de renda e assistência social em todo o país.
O levantamento aponta ainda que apenas o Bolsa Família consumiu R$ 168,2 bilhões em 2024. Para 2025, a estimativa caiu para R$ 158,6 bilhões após revisões cadastrais realizadas pelo governo para retirar beneficiários considerados irregulares.
A pesquisa também destaca limitações na consolidação de dados nacionais sobre assistência social, apontando falhas e inconsistências em informações divulgadas por estados e municípios, o que dificulta uma estimativa mais precisa sobre o total de beneficiários atendidos no país.