Câmara recua e cancela ida ao “Gilmarpalooza” após pressão
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Justiça

Câmara recua e cancela ida ao “Gilmarpalooza” após pressão

Viagem ao Fórum de Lisboa previa gastos de cerca de R$ 46 mil

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Câmara dos Deputados desistiu de bancar a viagem do diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, ao Fórum de Lisboa, evento conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”. O recuo ocorreu após repercussão negativa sobre os custos da viagem e aumento da pressão política em torno do encontro realizado em Portugal.

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Documentos internos apontavam que a Câmara autorizaria cerca de R$ 46 mil em despesas para a participação do servidor no evento. O valor incluía aproximadamente R$ 34 mil em diárias, R$ 9,6 mil em passagens aéreas e outros custos relacionados a deslocamentos e embarque.

Em nota, a Câmara informou que Guilherme Brandão participaria do fórum como palestrante, mas alegou incompatibilidade de agenda para justificar a desistência. Segundo a Casa, não haverá pagamento de diárias nem emissão de passagens.

O Fórum de Lisboa será realizado entre os dias 1º e 3 de junho e reúne ministros do Judiciário, parlamentares, empresários, advogados e lobistas. O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, instituição ligada ao ministro Gilmar Mendes, além da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Lisboa.

O ambiente político deste ano ampliou o desgaste em torno do encontro. O avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master e a pressão por maior transparência nas relações entre autoridades reduziram o interesse de integrantes do Judiciário e da política em participar do evento.

O evento já havia sido alvo de críticas em edições anteriores por causa do custeio de viagens e hospedagens de autoridades brasileiras na Europa.

O debate sobre possíveis conflitos de interesse ganhou força após a proposta de um código de conduta defendido pelo ministro Edson Fachin. A iniciativa prevê regras mais rígidas para a participação de ministros do Supremo em eventos com empresários, advogados e agentes políticos.

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