O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou Daniel Vorcaro no fim de 2025, logo após a soltura do dono do Master. O encontro teve como objetivo, de acordo com fontes ouvidas por este site, tratar do encerramento de negociações relacionadas ao filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
A visita do senador ao banqueiro ocorreu na residência de Vorcaro, em São Paulo, quando o empresário cumpria medidas cautelares após decisão judicial que autorizou sua saída com restrições.
Vorcaro havia sido preso pela 1ª vez em novembro de 2025, quando foi detido pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo (SP), no momento em que tentava viajar para fora do país.
Pouco depois, ele foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Mesmo em liberdade, o banqueiro passou a cumprir restrições impostas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a apresentação periódica às autoridades.
A nova prisão de Vorcaro ocorreu em 4 de março de 2026, desta vez por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que apontou “risco concreto de interferência nas investigações”.
Reportagem divulgada na semana passada pelo Intercept Brasil expôs mensagens e um áudio enviados por Flávio a Vorcaro, nos quais o senador cobrava patrocínio ao filme “Dark Horse”, que contará a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vorcaro teria se proposto a contribuir com cerca de R$ 134 milhões para a produção da cinebiografia.
Horas após a revelação, Flávio veio a público confirmar a conversa com o dono do Master e descartou ilegalidades nas conversas e negociações com Vorcaro. De acordo com o pré-candidato, o caso se trata apenas de “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.
O senador afirmou que não revelou antes a relação com o empresário por causa de um acordo de confidencialidade. Disse ainda que a negociação envolvia apenas recursos privados para a produção audiovisual e se desculpou por negar inicialmente a relação com o dono do Master.
Em pronunciamento à imprensa na tarde desta terça (19), Flávio confirmou que se encontrou com Vorcaro “para botar um ponto final nessa história”: “E dizer que se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”.
“Qualquer contato meu com esta pessoa, que é o Vorcaro, foi única e exclusivamente para tratar do filme do meu pai”, reforçou o senador, que disse ainda que, assim que o filme começar a dar resultados, o valor investido por Vorcaro no longa será “separado” e que ficará “à disposição das autoridades brasileiras”.
O parlamentar também cobrou novamente a instalação da CPMI do Master: “Vai ser a única forma de separar bandido de inocente. Até agora, a esquerda não assinou, não tem assinatura de ninguém da esquerda, ninguém da base do governo, com coragem de assinar”.
Flávio disse ainda que quer a “verdade”, mas que “infelizmente” não está dando para “contar com a Polícia Federal”: “Uma parte dela é bastante aparelhada. Acabamos de ver um outro absurdo, que se fosse na época do presidente Bolsonaro, estava a imprensa inteira caindo de pau: o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha, na investigação do roubo do INSS, é trocado na mão grande. Eu só não sei se ele foi ameaçado, se foi porque quis, ou ele foi obrigado a sair de lá de alguma outra forma”.
