Defesa de Débora do batom pede troca de tornozeleira após falhas de GPS
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Justiça

Defesa de Débora do batom pede troca de tornozeleira após falhas de GPS

Advogados alegam instabilidade no equipamento depois de Moraes ameaçar revogar prisão domiciliar

Foto: Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos pediu ao ministro Alexandre de Moraes a substituição da tornozeleira eletrônica usada pela ré, após registros de falhas no sistema de monitoramento. Os advogados afirmam que o equipamento apresentou instabilidade no sinal de GPS entre os dias 4 e 10 de maio.

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Segundo a manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, foram registradas 88 ocorrências de ausência de sinal no período. A defesa sustenta que os episódios indicam defeito técnico e não descumprimento das medidas impostas pela prisão domiciliar.

Os advogados destacaram que não houve alerta por bateria descarregada, o que afastaria hipótese de negligência no uso do equipamento.

“Mais do que isso, chama a atenção o fato de que tais registros de ausência de sinal ocorrem reiteradamente em curtos intervalos de tempo, diversas vezes no mesmo dia. […] Esse comportamento técnico do sistema é típico de instabilidade de sinal ou falha do equipamento de monitoramento, não podendo, sob nenhuma hipótese, ser interpretado como descumprimento de medida judicial”, afirma a defesa.

O pedido foi apresentado após Moraes intimar os advogados de Débora e mencionar a possibilidade de revogação da prisão domiciliar. A intimação ocorreu na quinta-feira (14). No dia seguinte, a defesa encaminhou os esclarecimentos e reiterou a necessidade de perícia técnica no equipamento.

Antes disso, a Procuradoria-Geral da República havia solicitado o envio de um ofício à administração penitenciária de Paulínia, em São Paulo, para detalhar as ocorrências registradas pela tornozeleira. Moraes, porém, optou por ouvir diretamente a defesa.

Os advogados também argumentaram que os registros de localização indicam que Débora permaneceu dentro da área autorizada enquanto o sistema funcionava normalmente.

Débora Rodrigues dos Santos foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Ela ficou conhecida após escrever a frase “perdeu, mané” com batom na Estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A expressão foi usada anteriormente pelo ministro Luís Roberto Barroso após a eleição presidencial de 2022.

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