Veja quem são os influenciadores que receberam dinheiro de Vorcaro para atacar o BC
Brasília, Sábado, 06 de junho de 2026
Política

Veja quem são os influenciadores que receberam dinheiro de Vorcaro para atacar o BC

Documentos do chamado “Projeto DV” apontam repasses milionários a influenciadores e páginas digitais

Foto: Reprodução

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Por Redação

A investigação sobre a ofensiva digital contra o Banco Central revelou uma estrutura de pagamentos milionários a influenciadores, páginas de notícias e perfis de redes sociais ligados ao chamado “Projeto DV”, associado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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Segundo documentos obtidos pela apuração, a operação foi montada após o BC barrar a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). O principal alvo das publicações era o então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes, cuja área técnica recomendou o veto ao negócio.

Os contratos foram intermediados pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, responsável por coordenar conteúdos, sugerir manchetes e definir o tom das publicações de acordo com cada perfil. O material previa textos, vídeos curtos para Instagram e até orientações específicas sobre linguagem e abordagem.

A Polícia Federal identificou cerca de 40 perfis que teriam participado da campanha.

Os documentos mostram que a empresa Super Empreendimentos, ligada a Vorcaro, transferiu R$ 3,5 milhões para contas de Thiago Miranda entre o fim de dezembro de 2025 e os primeiros dias de janeiro deste ano. Em seguida, os valores foram distribuídos aos influenciadores e páginas contratadas.

Entre os maiores repasses aparece a empresa do apresentador Luiz Bacci, que teria previsão de receber R$ 500 mil mensais por seis meses para a publicação de conteúdos nas redes sociais. Bacci confirmou relação comercial com a agência, mas afirmou não comentar detalhes dos contratos.

Outro nome citado é o influenciador Artur Moreno Martins, ligado à página Deu Buzz, também contemplado com previsão de R$ 500 mil.

O perfil Alfinetei aparece nos documentos com repasses de R$ 500 mil, enquanto o Cardoso Mundo teria recebido R$ 200 mil. O responsável pela página confirmou relação comercial com a agência, mas negou qualquer vínculo direto com Vorcaro ou com o Banco Master.

Já o perfil Marcelo Rennó teria recebido R$ 78 mil. Em manifestação, a empresa responsável afirmou que os pagamentos se referem a serviços formalizados e sem relação com campanhas coordenadas.

O portal GPS Brasília também integra a lista de beneficiários. O contrato previa R$ 100 mil mensais para produção de conteúdos em site e Instagram. Parte das publicações reproduziu críticas direcionadas à atuação de Renato Gomes no Banco Central.

Outro perfil citado é o Not Journal, que teria firmado acordo para postagens em tom “institucional” e “acadêmico”, conforme descrito nos documentos do projeto. Textos publicados pela página criticavam diretamente decisões tomadas pela diretoria do BC durante a análise do caso Master.

Entre as mensagens sugeridas pela agência estavam frases como “Renato Gomes sai, mas o estrago no mercado financeiro fica” e “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para o sistema financeiro”, posteriormente reproduzidas em redes sociais.

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