XP trocou participação no banco digital por CDBs do Master logo após mudança de controle
Logo após o Banco Master adquirir o controle do Will Bank, em março de 2024, a XP negociou sua saída da instituição em troca da compra de CDBs do banco de Daniel Vorcaro. A informação é da Folha de S. Paulo.
Ontem (20), o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. Desde novembro, a instituição, que integra o conglomerado do Master, estava sob regime de administração especial temporária, enquanto a autarquia aguardava a apresentação de alguma proposta de compra.
Procurada pela Folha, a XP afirmou inicialmente que não comentaria o caso. No entanto, após a publicação da reportagem, informou que a operação foi realizada por meio de um fundo voltado exclusivamente a investidores qualificados.
Obtidos pelo jornal, dados da CVM mostram que, em 2021, o fundo XP Private Equity I investiu R$ 150 milhões no Will Bank, em uma rodada que somou R$ 250 milhões ao lado da Atmos Capital. Com o aporte, a XP passou a deter 14,9% do banco digital.
Em março de 2022, a participação da XP se valorizou e atingiu R$ 301,5 milhões. Em 2024, porém, o valor caiu para R$ 253 milhões, levando a corretora a registrar prejuízo no investimento.
Na sequência, já após a entrada do Master no controle do Will, a XP negociou a troca de sua participação pela compra de R$ 410 milhões em CDBs. Na mesma operação, vendeu R$ 205 mi desses títulos a investidores. À época, os papéis ofereciam rentabilidade acima do padrão de mercado financeiro.
Informações mais recentes do fundo, referentes a março de 2025, indicam que a XP adquiriu outros R$ 180 milhões em CDBs do Master e repassou R$ 308 mi a terceiros, mantendo R$ 73,5 milhões em carteira.
A movimentação ocorreu pouco antes do anúncio das negociações para a venda do Master ao BRB, período em que começaram a surgir suspeitas de irregularidades na instituição. A compra da instituição de Vorcaro pelo banco público foi barrada pelo Banco Central (BC).
Os dados do fundo da XP relativos ao período entre março e setembro de 2025 ainda não foram divulgados. Essas informações devem indicar, de acordo com a Folha, como a corretora se posicionou em relação aos CDBs do Master após o avanço das denúncias que levaram à liquidação do banco em novembro de 2025.
