Presidente americano ordena retomada dos testes dos EUA após 30 anos e cita aumento de tensão com Moscou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (2) que Rússia e China realizaram testes nucleares subterrâneos secretos. Segundo ele, Washington pode adotar a mesma medida.
“A Rússia testa, a China testa, mas eles não falam sobre isso (…) Eles fazem testes em locais de grande profundidade, onde as pessoas não sabem exatamente o que está acontecendo”, disse Trump à emissora CBS.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões com Moscou, após novos testes de mísseis e a resistência do presidente Vladimir Putin em encerrar a guerra na Ucrânia. Na semana passada, Trump autorizou o governo americano a retomar testes nucleares pela primeira vez desde 1992, o que provocou críticas internacionais.
O governo chinês negou as acusações nesta segunda-feira (3). “A China sempre aderiu ao caminho de um desenvolvimento pacífico, segue a política de não ser a primeira a usar armas nucleares, defende uma estratégia nuclear de autodefesa e respeita seu compromisso de suspender os testes nucleares”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning.
Questionado se planeja detonar uma arma nuclear pela primeira vez em mais de 30 anos, Trump respondeu: “Estou dizendo que vamos testar armas nucleares como outros países fazem, sim. Não quero ser o único país que não realiza testes.”
O republicano, de 79 anos, anunciou a medida nas redes sociais antes de se reunir com o presidente chinês Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.
Dias antes, a Rússia havia testado o míssil de cruzeiro Burevestnik, com propulsão nuclear, e um drone submarino com capacidade similar. Nenhum país, além da Coreia do Norte, detonou uma arma nuclear nas últimas décadas.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, minimizou a decisão e afirmou que os experimentos devem se limitar a testes de sistemas, sem explosões nucleares. “Acho que os testes de que estamos falando agora são testes de sistemas. Não são explosões nucleares”, disse à Fox News.
Os Estados Unidos assinaram em 1996 o tratado que proíbe testes nucleares com fins militares ou civis, embora o acordo nunca tenha sido ratificado pelo Congresso.
