PT vê racha entre Michelle e Flávio como trunfo para Lula
Brasília, Sexta, 03 de julho de 2026
Política

Bastidores: PT vê racha entre Michelle e Flávio como trunfo para Lula, mas evita explorar caso por enquanto

Michelle Bolsonaro funcionário do mês PT
Card que chama Michelle Bolsonaro de "funcionária do mês" do PT circula nas redes sociais. Foto: Reprodução/ Redes sociais.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser vista pelo Partido dos Trabalhadores como um fator capaz de beneficiar politicamente o presidente Lula (PT).

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Fontes da legenda ouvidas pela reportagem afirmaram que internamente o racha no principal partido de oposição “deu fôlego” à campanha do petista ao deslocar o foco das atenções para a disputa dentro do Partido Liberal.

Apesar da avaliação favorável para o campo governista, dirigentes afirmam que o partido prefere agir com cautela. A principal preocupação é que Michelle saia fortalecida politicamente da crise e se consolide como um nome competitivo para disputar a Presidência no lugar do enteado.

Por esse motivo, o PT ainda não pretende utilizar os vídeos publicados pela ex-primeira-dama contra Flávio. A estratégia é aguardar os próximos capítulos.

“É preciso esperar ainda os efeitos na disputa dentro do PL”, afirmou o interlocutor a este site.

A reportagem apurou ainda que integrantes do PT discutem a viabilidade jurídica de utilizar futuramente o material publicado por Michelle em peças de campanha. O objetivo é evitar eventual risco de questionamentos judiciais caso o conteúdo seja explorado eleitoralmente.

Nos bastidores, porém, integrantes do PT avaliam que, caso Flávio Bolsonaro seja mantido como candidato, os vídeos poderão ser explorados como uma “arma eleitoral” na corrida pelo Palácio do Planalto.

Enquanto isso, militantes petistas já passaram a explorar politicamente o episódio. Um card que chama Michelle Bolsonaro de “funcionária do mês” do PT circula nas redes sociais entre filiados da legenda. A peça traz a mensagem de que seu “trabalho faz a diferença e fortalece nosso projeto por um Brasil mais justo e igualitário”.

A reportagem apurou, no entanto, que o material não foi produzido nem distribuído oficialmente pela direção nacional do partido.

O mesmo card também passou a ser compartilhado por apoiadores de Flávio Bolsonaro, que o utilizam para defendê-lo e reforçar críticas à postura adotada pela madrasta.

Entenda a crise

O atrito ganhou dimensão nacional após Michelle publicar, em 24 de junho, dois vídeos nas redes sociais afirmando que foi “apunhalada”, “desrespeitada” e “humilhada” por Flávio. Segundo ela, os dois não se falavam desde o fim de 2025, após divergências envolvendo as articulações do PL para formar palanque no Ceará.

Após a repercussão, o senador divulgou um pedido público de desculpas e afirmou que jamais teve a intenção de ofendê-la.

Apesar da tentativa de pacificação, a situação provocou forte repercussão política. Michelle deixou a presidência do PL Mulher e anunciou que passaria a se dedicar integralmente aos cuidados com ex-presidente Jair Bolsonaro e à filha.

Conforme antecipado por este site, após a crise desencadeada pelos vídeos, Jair orientou Michelle a desistir da disputa por uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A ex-primeira-dama aceitou e comunicou sua decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que pediu que ela refletisse com calma até o prazo final para o registro das candidaturas.

(Reportagem com Mariana Alburquerque)

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