PT aprova manifesto com referência ao socialismo
Brasília, Sábado, 13 de junho de 2026
Política

PT aprova manifesto com referência ao socialismo

Documento aprovado no 8º Congresso amplia agenda institucional, mantém acenos ao centro e reforça narrativa contra governos anteriores

Ato de encerramento do Congresso do PT em Brasília — Foto: Divulgação/PT
Ato de encerramento do Congresso do PT em Brasília — Foto: Divulgação/PT

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O PT encerrou ontem (26) o seu 8º Congresso Nacional, em Brasília, com a aprovação de um manifesto que tenta equilibrar 2 objetivos difíceis de conciliar: manter a identidade histórica da sigla e ampliar a base para reeleger o Lula em 2026.

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O texto foi elaborado pela tendência majoritária Construindo um Novo Brasil, a CNB. Traz acenos ao centro político, agenda de confronto com Donald Trump (partido Republicano) e reformas que vão do Judiciário ao fim da jornada 6 X 1.

O documento propõe um “amplo processo de concertação social” capaz de reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação junto à classe trabalhadora e movimentos populares. A ideia é formar uma coalizão que vá além da defesa institucional da democracia.

O manifesto também evita a linguagem de ruptura. A versão preliminar listava 5 reformas estruturais (política, tributária, tecnológica, do Judiciário e administrativa). O texto aprovado acrescentou outras duas: a reforma agrária, voltada à soberania alimentar, e a reforma da comunicação, para garantir o cumprimento da proibição constitucional de monopólios no setor.

Nenhuma das 7 é vinculada diretamente ao projeto socialista. A palavra socialismo foi inserida na apresentação das reformas estruturais. O manifesto passa a defini-las como orientadas por “objetivos estratégicos claros — tendo como horizonte programático o socialismo democrático “.

A mudança aproxima o termo das propostas concretas. O texto também reforça críticas ao modelo econômico liberal. Afirma que “A promessa neoliberal […] mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria”  e que o sistema “socializa prejuízos e preserva privilégios” .

O documento atribui ao governo anterior responsabilidade por retrocessos. Cita “reconstrução de um país que havia sido destruído justamente pela extrema-direita”  e classifica o período como “verdadeiro projeto de destruição nacional” .

Também associa o avanço conservador a riscos institucionais. O texto menciona “avanço da extrema-direita e do fascismo”  e afirma que “autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham espaço” .

Na política econômica, o manifesto defende maior atuação estatal. Propõe “reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento”  e o enfrentamento à “hegemonia do rentismo e da financeirização” .

Entre as medidas, inclui regulamentação de plataformas digitais, com “ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas digitais” , e mudanças institucionais, como “Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização” .

Na agenda trabalhista, o texto retoma a pauta sindical. Defende a “luta pelo fim da jornada 6×1”  como parte do projeto econômico.

O manifesto também enfatiza indicadores do governo. Cita inflação dentro da meta, desemprego em queda e crescimento médio de 2,8% ao ano como evidências de desempenho econômico.

Na política externa, o documento trata o tarifaço de Trump como instrumento de “repressão econômica” e descreve a ação dos Estados Unidos como uma guerra comercial. Também critica a atuação americana no Oriente Médio e menciona conflitos envolvendo Israel, Gaza e Irã.

Em contraste, apresenta o Brasil como mediador internacional. Afirma que o país atuou em repatriações, defendeu cessar-fogo e busca protagonismo global.

O texto ainda propõe que o Brasil amplie o controle sobre recursos estratégicos, como as terras-raras, defendendo o processamento no território nacional.

Ao final, o manifesto reafirma a diretriz ideológica do partido e declara “reafirmar nosso compromisso com o socialismo”

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