PL aciona Justiça contra contratos bilionários da Secom da Bahia
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Justiça

PL aciona Justiça contra contratos bilionários da Secom da Bahia

Ação popular aponta divergências em licitação da Secom, pede esclarecimentos sobre contratos e questiona possível sobreposição de despesas

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) ingressou com uma ação popular na 6ª Vara da Fazenda Pública de Salvador para questionar a legalidade dos contratos de publicidade institucional firmados pelo Governo da Bahia por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom). A ação sustenta que inconsistências entre o planejamento da licitação e os contratos assinados permitem interpretar que o Estado assumiu compromissos financeiros que podem alcançar R$ 1 bilhão.

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Segundo a petição, toda a fase preparatória da Concorrência Pública nº 01/2025 — incluindo Documento de Formalização da Demanda (DFD), Estudos Técnicos Preliminares (ETP), Termo de Referência e edital — fixou valor global estimado de R$ 200 milhões para os primeiros 12 meses da contratação. Após a conclusão do certame, porém, foram firmados cinco contratos distintos, cada um com valor estimado de R$ 200 milhões.

As empresas contratadas foram Morya Comunicação Ltda., CCA Comunicação e Propaganda Ltda., Leiaute Propaganda Ltda., Objectiva Comunicação Ltda. e Binder Comunicação Ltda. A ação afirma que a redação dos contratos não esclarece expressamente que os R$ 200 milhões corresponderiam a um limite global compartilhado entre todas as empresas, abrindo margem para interpretação de que cada contrato possui teto financeiro próprio.

“Se o planejamento da licitação fala em R$ 200 milhões, como explicar que cinco contratos distintos tragam, cada um, o valor de R$ 200 milhões? A leitura literal desses documentos leva à conclusão de que o Estado pode ter contratado até R$ 1 bilhão em publicidade. Essa dúvida não pode existir quando se trata do dinheiro do contribuinte”, afirmou Leandro de Jesus.

O parlamentar também questiona a ausência de estudos técnicos que demonstrem como a administração chegou ao valor estimado da contratação. De acordo com a ação, não foram identificadas memória de cálculo, metodologia de precificação, quantitativos ou projeções capazes de justificar o montante previsto para a licitação.

Outro ponto levantado diz respeito à coexistência dos novos contratos de publicidade institucional com contratos de comunicação digital celebrados em 2023, no valor de R$ 15 milhões. Segundo a ação, os dois conjuntos de contratos contemplam atividades semelhantes, como planejamento de campanhas, produção de conteúdo, mídia, monitoramento de redes sociais e publicidade institucional, sem que a Secom tenha apresentado documento delimitando quais serviços caberão a cada contratação.

“O problema é que os próprios documentos do governo geram interpretações contraditórias. Quem consulta os contratos publicados no Portal da Transparência encontra cinco instrumentos, cada um no valor de R$ 200 milhões. Se o limite realmente é de apenas R$ 200 milhões para toda a contratação, isso deveria estar absolutamente claro nos contratos”, declarou o deputado.

Na ação, Leandro de Jesus pede, em caráter liminar, que o Estado da Bahia apresente a memória de cálculo utilizada para definir o valor da licitação, esclareça oficialmente qual é o limite financeiro efetivo dos cinco contratos, apresente um quadro comparativo delimitando os serviços dos contratos de 2023 e de 2025 e entregue relatório atualizado com os valores empenhados, liquidados e pagos a cada agência. Subsidiariamente, solicita a suspensão da emissão de novas ordens de serviço que ampliem a execução financeira dos contratos até que os esclarecimentos sejam prestados.

Ao final do processo, o deputado requer que a Justiça declare a nulidade dos atos administrativos questionados ou determine sua adequação aos princípios constitucionais da legalidade, planejamento, motivação, publicidade, transparência e proteção do patrimônio público. Caso sejam constatadas irregularidades durante a instrução, a ação também pede o ressarcimento de eventuais prejuízos ao erário.

Além da ação popular, Leandro de Jesus informou que encaminhará representação ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), solicitando auditoria para apurar as inconsistências apontadas na licitação e na execução dos contratos.

A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) para saber se o órgão pretende instaurar auditoria ou adotar alguma medida em relação aos contratos questionados na ação popular. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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