Extratos bancários e mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que um fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro destinou R$ 35 milhões ao resort de luxo Tayayá, empreendimento no qual a empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, mantinha participação societária.
A documentação permite reconstituir a sequência de aportes financeiros e a relação temporal entre os pagamentos e a entrada do fundo na sociedade do empreendimento. As informações são do jornal o Estado de S. Paulo.
Segundo os registros, o investimento foi realizado por meio de uma cadeia de fundos. O fundo Leal — que tinha como único cotista o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro — aplicava recursos no FIP Arleen. Este, por sua vez, adquiriu participação nas empresas responsáveis pela administração e pela incorporação imobiliária do resort, localizado em Ribeirão Claro (PR).
A operação incluiu a compra de metade da fatia detida pela Maridt S.A., companhia da família de Toffoli.
Formalmente, a transação envolveu cerca de R$ 3,3 milhões em capital social. No entanto, esse valor representava apenas a participação societária registrada. O empreendimento é avaliado em mais de R$ 200 milhões, e documentos apontam que o montante efetivamente destinado ao negócio ao longo do tempo alcançou R$ 35 milhões.
Os extratos indicam aportes iniciais de R$ 20 milhões em 2021, seguidos por novos repasses anos depois. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram o banqueiro pressionando Zettel para acelerar pagamentos relacionados ao empreendimento.
Em uma das conversas, ele afirma enfrentar cobranças e pede a regularização dos valores. Em outra, solicita a relação completa do que já havia sido transferido, recebendo como resposta a soma dos aportes: primeiro R$ 20 milhões e, posteriormente, mais R$ 15 milhões.
Embora o pastor tenha afirmado anteriormente ter deixado o fundo em 2022, registros financeiros e diálogos posteriores indicam que ele permaneceu como cotista e continuou participando dos aportes.
Em fevereiro de 2025, pouco depois de um novo repasse do fundo ao Arleen, a Maridt vendeu o restante de sua participação nas empresas do resort a uma holding privada ligada a um advogado que já prestou serviços à indústria frigorífica. Dias depois, veio à tona um relatório da Polícia Federal mencionando o ministro em mensagens armazenadas no aparelho de Vorcaro. Na sequência, Toffoli deixou a relatoria do inquérito relacionado ao caso no Supremo, que passou ao ministro André Mendonça.
Em manifestação pública, o magistrado afirmou não ter recebido valores do empresário. Ele reconheceu apenas o recebimento de dividendos da empresa familiar, ressaltando que a legislação permite a magistrados integrarem quadro societário e receberem lucros, desde que não exerçam gestão administrativa.
