Novo aciona MPF contra diretor da PF por viagem paga por Master
Brasília, Sexta, 19 de junho de 2026
Justiça

Novo aciona MPF contra diretor da PF por viagem paga por Master

De acordo com a representação, Andrei Rodrigues teve viagem para Londres custeada por banco investigado pela PF

De acordo com o diretor-geral, a PF adota protocolos rígidos para evitar questionamentos futuros sobre a validade do processo.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O partido Novo protocolou, na última semana, duas representações contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, questionando a legalidade e a ética de sua participação em um evento em Londres custeado por agentes privados, entre eles o Banco Master, que é alvo de investigações conduzidas pela própria PF.

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Uma das ações foi enviada ao Ministério Público Federal no Distrito Federal, com pedido de apuração por possível ato de improbidade administrativa. A outra foi protocolada na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, solicitando investigação por eventual conflito de interesses. As representações são assinadas pelo desembargador aposentado e pré-candidato ao Senado pelo Novo no DF, Sebastião Coelho.

Segundo os documentos, o caso envolve a participação de Andrei Rodrigues no “1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, realizado entre 24 e 26 de abril de 2024, em Londres. As despesas de hospedagem, alimentação e deslocamento teriam sido custeadas por organizadores privados, incluindo o Banco Master.

A própria Polícia Federal informou, em resposta via Lei de Acesso à Informação, que não houve pagamento de diárias ao diretor-geral, pois os custos foram pagos por terceiros. O órgão também declarou não ter conhecimento dos valores desembolsados.

De acordo com a representação, a hospedagem ocorreu em hotel de alto padrão, com diárias estimadas em cerca de R$ 6 mil. O documento também menciona participação em evento privado com consumo de itens de alto valor, financiado por agente ligado ao banco.

O Novo aponta que o Banco Master, responsável pelo custeio, é investigado pela Polícia Federal, o que, segundo o partido, configura potencial conflito de interesses. A legenda sustenta que a relação entre o agente público e o financiador pode comprometer a atuação institucional.

“O Brasil não pode conviver com zonas cinzentas quando se trata da atuação de autoridades públicas. A confiança nas instituições depende de regras claras e do seu cumprimento rigoroso. Se isso for tratado com normalidade, abre-se um precedente perigosíssimo: o de que autoridades podem se relacionar com investigados sem qualquer consequência”, afirmou Eduardo Ribeiro, presidente do Novo.

Na representação ao MPF, o partido argumenta que o recebimento de benefícios pagos por ente privado com interesse na atuação da autoridade pode configurar violação à Lei de Conflito de Interesses e à Lei de Improbidade Administrativa.

Já no pedido à Comissão de Ética, o Novo aponta possível descumprimento das regras sobre hospitalidade a agentes públicos, com questionamentos sobre ausência de autorização prévia e sobre a dimensão dos benefícios recebidos.

O documento cita que a legislação considera conflito de interesses situações em que há confronto entre interesses públicos e privados capaz de influenciar o desempenho da função. Também destaca que vantagens recebidas ultrapassariam limites considerados aceitáveis como brindes ou hospitalidade institucional.

As representações pedem a apuração dos fatos, verificação de eventuais autorizações formais e aplicação de sanções, caso sejam constatadas irregularidades.

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