O Banco Master concedeu duas operações de crédito que somaram R$ 45,5 milhões ao ex-deputado federal e ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, segundo apuração do Metrópoles. Segundo o empresário, os recursos foram utilizados para adquirir ações da farmacêutica Biomm, empresa da qual é fundador e que, na época, tinha o banqueiro Daniel Vorcaro entre os principais acionistas.
As operações ocorreram no início de 2024. Em janeiro, o Master liberou R$ 10 milhões. No mês seguinte, concedeu outros R$ 35 milhões. O financiamento coincidiu com o aumento de capital promovido pela Biomm em 2023, concluído no início de 2024, quando Vorcaro, por meio do fundo Catargo, adquiriu ações remanescentes e passou a deter cerca de 18% da companhia.
Segundo Mares Guia, a operação teve como objetivo permitir sua participação na subscrição de novas ações emitidas pela empresa.
“Como ele (Vorcaro) tinha estudado a operação toda, sabia da qualidade, eu tinha o crédito e fiz a operação. A Biomm fez aumento de capital e eu subscrevi. Em vez de usar capital A, B ou C, fiz um financiamento”, afirmou.
O empresário relatou que conheceu Daniel Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte. Segundo ele, o interesse do banqueiro surgiu após conhecer o projeto da fábrica de insulina da Biomm.
“Ele ficou interessado na nossa fábrica de insulina na região de BH, então me ele me procurou, falamos sobre a Biomm, que é uma empresa de capital aberto e tem inúmeros sócios, e ele adquiriu ações da empresa, como qualquer um poderia fazer”, disse.
Três meses após a concessão do crédito, em maio de 2024, a operação foi cedida ao Banco Voiter S.A., instituição que posteriormente passou a se chamar Banco Pleno. Atualmente, o crédito pertence ao Banvox e tem vencimento previsto para 2029.
De acordo com Mares Guia, o aumento de capital teve como finalidade reforçar o capital de giro da Biomm. A fábrica de insulina foi concluída em 2022, inaugurada em 2024 e iniciou a comercialização dos produtos apenas no ano passado após cumprir exigências regulatórias.
O empresário também contestou a associação da companhia a Daniel Vorcaro.
“É um absurdo terem colocado o Vorcaro como dono da Biomm, como se o Lula tivesse inaugurado uma fábrica dele. A Biomm não tem controlador, não tem sequer acordo de acionistas.”
Na época da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, o mercado ainda considerava que o banqueiro controlava 25,86% da Biomm por meio do fundo Catargo. Posteriormente, veio a público que essa participação havia sido transferida ao BRB como parte de uma compensação envolvendo a venda de carteiras de crédito. Em abril deste ano, o fundo Alaska anunciou a compra dessa fatia e informou ter se tornado o maior acionista da farmacêutica, com participação de 26,15%.