Presidente responsabiliza americano por tarifas e diz que Brasil não aceitará tratamento desigual
O presidente Lula atribuiu a atual crise comercial com os Estados Unidos ao que chamou de “defesa” do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo presidente Donald Trump. Em entrevista ao The New York Times, Lula disse que os americanos pagarão pela decisão com produtos mais caros, como café, carne e suco de laranja.
“Nem o povo americano nem o povo brasileiro merecem isso”, afirmou Lula. “Porque vamos passar de uma relação diplomática de 201 anos de ganhos mútuos para uma relação política de perdas mútuas.” As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros entram em vigor nesta sexta-feira (1º).
A entrevista foi concedida na terça-feira (29), no Palácio da Alvorada. Lula afirmou que o Brasil trata o tarifaço com seriedade, mas cobra reciprocidade: “Trato todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito.”
O presidente afirmou que a Casa Branca se recusa a negociar. Disse ter acionado o vice-presidente e ministros da Agricultura e da Fazenda para abrir diálogo com seus equivalentes americanos, sem sucesso até o momento. “Na Casa Branca, ninguém quer conversar”, reclamou.
Segundo Lula, o governo brasileiro realizou dez reuniões com o Departamento de Comércio dos EUA e enviou carta formal em 16 de maio. A resposta, disse, veio por meio de uma publicação no Truth Social, rede social de Trump, com o anúncio das tarifas.
Lula classificou o gesto como “vergonhoso” e criticou a conduta diplomática de Washington. “Quando há um desentendimento comercial ou político, o que se faz é pegar o telefone, marcar uma reunião e tentar resolver. Não se impõe tarifas como ultimato”, disse.
O presidente também comentou as possíveis sanções americanas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, cujos vistos foram revogados, junto aos de outros ministros. Lula afirmou que, se confirmado, o caso “é mais sério do que imaginava”.
O New York Times também destacou que “talvez não haja nenhum líder mundial desafiando o presidente Trump tão fortemente quanto o senhor Lula”.
Enquanto isso, o deputado Eduardo Bolsonaro está em Washington articulando sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, que permite punições a estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou ao Congresso que “há grande possibilidade de que isso aconteça”.
