O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (18) que a nação iraniana “não é de se render“, reagindo às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigiu “rendição incondicional” de Teerã.
“Que os americanos saibam que a nação iraniana não é de se render, e qualquer intervenção militar de sua parte resultará, sem dúvida, em danos irreparáveis”, disse Khamenei em discurso transmitido pela TV estatal.
Desde que Israel iniciou os ataques contra o Irã, na última sexta-feira (13), o país persa lançou mais de 400 mísseis e centenas de drones contra território israelense, segundo o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Os ataques atingiram 40 localidades, resultando em 24 mortos, mais de 800 feridos e quase 3.800 pessoas removidas de suas casas. A autoridade tributária israelense informa que já recebeu cerca de 19 mil pedidos de indenização. Do lado iraniano, autoridades afirmam que 224 pessoas morreram desde o início dos bombardeios.
Na terça-feira (17), Trump afirmou que Khamenei era “um alvo fácil” para os EUA, mas que ainda não tomaria essa medida. Fontes ligadas à Casa Branca afirmam que o presidente está mais inclinado a autorizar o uso de força militar contra instalações nucleares do Irã e tem se desiludido com uma solução diplomática.
O embaixador do Irã na ONU advertiu que haverá reação direta caso os EUA participem da ofensiva militar israelense. A retórica mais agressiva de Trump sinaliza mudança de postura, mas ele segue aberto a negociações, desde que Teerã aceite concessões substanciais.
Ao longo dos últimos dias, discussões no governo americano continuaram focadas na busca de alternativas diplomáticas. No entanto, Trump afirmou a jornalistas que deseja “um fim real, não um cessar-fogo”.
Ataques israelenses
Israel realizou uma grande ofensiva aérea durante a madrugada desta quarta-feira, envolvendo mais de 50 caças da Força Aérea, que atacaram alvos militares em Teerã. Segundo as Forças de Defesa de Israel, foram destruídas instalações ligadas à produção de mísseis e centrífugas usadas no programa nuclear iraniano.
Mesmo com o alinhamento entre Washington e Tel Aviv, agências de inteligência dos EUA e de Israel divergem na interpretação dos dados sobre o programa atômico iraniano. Em março, a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, declarou que Khamenei não autorizou a retomada do programa de armas nucleares desde sua suspensão em 2003.
Irã já foi derrotado uma vez
A tensão atual reacende lembranças da interferência histórica dos EUA no Irã. Em 1953, os norte-americanos atuaram no golpe que derrubou o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, que havia prometido nacionalizar os campos de petróleo do país. A CIA, junto ao serviço secreto britânico (SIS), financiou a oposição e organizou protestos, apoiando o retorno do xá Mohammad Reza Pahlavi ao poder.
O apoio americano ao xá, aliado do Ocidente, alimentou o sentimento antiamericano, que culminou na Revolução Islâmica de 1979 e na criação da República Islâmica do Irã.
