'Indícios de comprometimento': Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel - Claudio Dantas
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Justiça

‘Indícios de comprometimento’: Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel

Denúncia do jornalista Claudio Dantas levou PL a acionar o TSE

Ministro Nunes Marques
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Redação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, atendeu a um pedido do PL e suspendeu liminarmente a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de maio. O partido acionou a Corte sob a alegação de que o questionário continha elementos capazes de induzir uma percepção negativa sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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A ação foi apresentada após denúncia do jornalista Claudio Dantas. Segundo a representação, em um trecho do questionário, a AtlasIntel solicitava que os entrevistados ouvissem um áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgado pelo site The Intercept, sobre o filme Dark Horse.

O material apresentado aos entrevistados não incluía a justificativa dada por Flávio para o financiamento do longa nem sua explicação de que não houve contrapartida. O áudio foi utilizado de forma isolada, sem o contexto completo do caso.

Ao analisar o caso, Nunes Marques considerou haver indícios de possível indução dos entrevistados. Em decisão preliminar, o ministro apontou elementos que podem ter comprometido a neutralidade da pesquisa, entre eles a utilização de áudio relacionado a uma investigação.

O presidente do TSE ressaltou que a concessão da liminar parcial, que suspende a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa, não gera prejuízo caso a regularidade metodológica do levantamento seja posteriormente confirmada.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou o ministro.

Para Nunes Marques, há indicativos de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, acrescentou.

Segundo a decisão, outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não utilizaram perguntas com conteúdo semelhante nem recorreram à reprodução de áudio durante as entrevistas.

O ministro do TSE também determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia adotada, especialmente em relação ao uso do áudio.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) terá prazo de 1 dia para se manifestar e a decisão ainda será submetida a referendo.

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